
Ou seja, na música - que, diga-se, é perfeita para as pistas -, a artista mineira celebra a liberdade de não se pautar por receitas prontas, ainda que, à reportagem, faça um importante adendo. “Não é sobre fazer besteiras, burradas. É sobre poder fazer o que quiser, mas estando ciente das consequências. E lembrando que, ao fim, é possível, por que não?, acertar. Em síntese, é sobre não seguir fórmulas ou que a sociedade espera - mesmo porque, não existe um caminho ‘certo’ para ser feliz”, advoga.
Importante frisar que “Tô Afim de Errar” dá início a um storytelling, que prevê outros três singles. O percurso tem início quando a narradora conhece um certo alguém em um momento no qual nem estava disposta - ou seja, estava mesmo era mais propensa ao incerto. “E aí vão vindo outros momentos, como aquele no qual ela já está gostando da pessoa, mesmo que ainda não esteja (efetivamente) com ela. Depois, já se relacionando, se sucedem alguns desencontros”, diz, adiantando detalhes.
Luiza conta que, paralelamente ao lançamento das músicas que estruturam a narrativa, ainda pretende encontrar espaço na agenda para produzir mais músicas neste pós-Carnaval. “Esse semestre será voltado a lançamentos. No segundo, a ideia é já fazer alguns shows”, situa. Nada que a assuste - afinal, a relação com os palcos teve início na infância, ainda que por outro viés. “Aos 9 anos, comecei a fazer teatro, então, tenho mais de duas décadas de palco (atualmente, Luiza Felício tem 30 anos de idade), juntando o profissional e a diversão”, elucida.
Curiosamente, foi dando vazão à citada faceta atriz que ela acabou percebendo a vocação orgânica para a música. “Muitas encenações das quais participava tinham momentos musicais. E, por meio deles, percebi essa identificação. É, sem dúvida, a minha verdadeira paixão, um lugar no qual posso me expressar, compartilhar meus pensamentos - e acho isso incrível! Aliás, é o que eu mais amo neste universo. Então, se tornou uma relação de puro amor, de prazer”, enfatiza. Por outro lado, a faceta atriz acabou por mostrar a Luíza a importância de saber performar no palco. “Entendi que a música tem duas vertentes. Primeiramente, claro, a vocação, seja para cantar e/ou tocar. E, também, como disse, o saber performar”.
Vale dizer que Luiza tratou de lapidar a paixão que brotou espontaneamente. “Comecei a fazer curso de canto ainda pequenininha, e, daí, sempre tentando aprimorar. Fui aprendendo a compor, comecei a lançar músicas, que, por sua vez, começaram a ter downloads... Mas, veja, não foi um caminho curto, ao contrário. Foi bastante longo. E em meio a esse percurso entendi a importância de estudar. Claro, é muito bom ouvir das pessoas que você tem uma voz bonita, que canta bem. Mas, na hora de pegar o microfone em público, tem que ter uma técnica, seja para atingir uma nota diferente, saber pegar um grave e depois ir para um agudo... Daí a importância de ter uma técnica. E vejo muitos artistas consagrados fazendo isso também".
Em 2024, porém, Luiza decidiu dar uma pausa nos shows. “Já no ano passado, fiquei focada em produzir, em gerar músicas, para, então, preparar minha volta aos palcos cantando as minhas composições”, salienta a moça, cujo gosto musical foi, de certa forma, moldado pela família. É que foi junto aos seus que travou contato com o potente universo da MPB, por meio do repertório de ícones como Tom Jobim, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, para citar alguns. “Aliás, são artistas que sigo escutando e admirando, nomes que o Brasil inteiro, o mundo, ama.”
No rol de suas preferências, a MPB divide democraticamente espaço com outros ritmos. “Sou muito fã de novidades e, na minha carreira, tento juntar o que veio antes - que é a base de tudo, que é o mais lindo - às tendências mais contemporâneas. A verdade é que tudo se renova, e com a música não seria diferente. Para citar um exemplo, gosto muito do reggaeton, assim como de axé e outros ritmos; e gosto de mesclar essas referências nas minhas músicas, de dar a elas ‘uma cara’ mais diversificada”.
Fora dos palcos, Luiza exibe outras facetas para além da artística. “Sou geminiana, então, sempre brinco que tenho diversas naturezas. Às vezes, estou mais caseira, em outras, sou aquela pessoa que você vai ver em todos os lugares quando sai de casa (risos), assim como posso ser aquela que você não vê há dois, três anos. Sou meio que mil e uma pessoas dentro de uma. Do mesmo modo, meus hobbies se modificam. Atualmente, gosto de ficar em casa, ler um livro (até para fixar as línguas que falo), ver filmes e séries... Mas, nos finais de semana, gosto de encontrar meus amigos, de sair, comer bons pratos... E , claro, sou viciada em shows”.
Indagada quanto aos sonhos que acalenta, Luiza reconhece que, a bem da verdade, muitos já foram conquistados. “Poder compor, lançar músicas e saber que essas são ouvidas por tanta gente, pessoas que nem conheço... Então, o que posso desejar é que o meu trabalho chegue a ainda mais pessoas, ao maior número possível”. E complementa: “A vida de todo mundo tem alegrias e dramas, altos e baixos, mas mesmo diante das dificuldades, sempre tento ser uma pessoa leve. É difícil, e a minha música inclusive fala disso”, pontua a simpática (e bela) mineira.
“Tô Afim de Errar”, Luiza Felício
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