
O cirurgião-dentista enfatiza que pintar virou sua forma de se comunicar consigo mesmo, de organizar pensamentos, aliviar o peso do dia e transformar as sensações em cores e formas. “Cada tela nasce desse encontro íntimo, mas sempre com um olhar para o outro. O desejo de que quem veja minha arte também se sinta tocado, acolhido ou provocado. A arte, para mim, é descanso, diálogo e partilha.” Ricardo entrega que se vê como um artista em constante construção. Para ele, sua arte é “expressionista contemporânea, intuitiva, intensa e profundamente ligada à emoção”. Ele pinta desde 2009. “Comecei sozinho, de forma autodidata, enfrentando desafios, dúvidas e descobertas sem atalhos. Foi nesse caminho solitário que aprendi a confiar no meu olhar e na minha linguagem.” Com o tempo, buscou ajuda para se aperfeiçoar.
Entre suas obras, Ricardo destaca a tela “O Transplante” que, confessa, “nasceu de um lugar muito profundo em mim”. Ele confidencia que pintar esse quadro foi revisitar um dos momentos mais intensos da sua vida: o período em que estive ao lado do meu irmão no hospital, acompanhando um transplante que misturava medo, esperança, silêncio e fé. “A tela virou uma forma de dizer o que as palavras não davam conta. Cada cor, cada gesto e cada escolha foram uma tentativa de transformar dor em sentido, angústia em luz, e espera em vida. Não é apenas uma obra é uma memória viva, uma releitura emocional de um instante em que o amor, a fragilidade humana e a possibilidade de recomeço caminharam juntos.”
