Cabelos curtos ganham novas versões e continuam na moda

Com estilo atemporal, cortes clássicos, como os chamados pixies, seguem conquistando mulheres de todas as idades

por Marinella Castro 10/08/2017 14:40

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Ronaldo Dolabella/Encontro
A estudante Elisa de Vilhena se inspirou na franjinha irregular da personagem Amélie Poulain: "Ficou tão bom que nunca mais deixei o meu cabelo crescer" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Moderninhos e fáceis de cuidar, os cabelos curtos são versáteis e estão ganhando espaço nas agendas concorridas dos cabeleireiros. Desde que celebridades passaram a aderir ao corte, os pedidos pelos pixies, ou o popular Joãozinho, estão crescendo nos salões, em todas as faixas etárias, e são a aposta para o próximo verão. Diferentemente do chanel, os pixies mostram bem o rosto e por isso costumam ser relacionados à independência, segurança e sensação de liberdade. Apesar do nome popular que ganharam, os curtinhos são muito femininos.

A franjinha irregular usada pela atriz francesa Audrey Tatto no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain inspirou a estudante Elisa Renault de Vilhena na composição do seu corte. Há dois anos ela desistiu de um cabelão quase na cintura, encheu-se de coragem e enfrentou as tesouras, aderindo a um charmoso corte que a fez lembrar a personagem do filme. "Ficou tão bom que nunca mais deixei meu cabelo crescer. O modelo curto é mais clássico e ao mesmo tempo moderno, tem muitas possibilidades."

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Blogueira de moda e beleza, Alessandra Faria diz que é preciso tomar cuidados: "Nem sempre o cabelo curto vai rejuvenescer" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
O sentimento de liberdade é outra característica muito citada por quem adere ao estilo. Cuidar dos curtinhos, segundo Elisa, é fácil e não requer um arsenal de produtos. Secar e modelar não é tarefa obrigatória. Funcionária pública, mãe de três filhos e blogueira de moda e beleza, Alessandra Faria faz milagres com o apertado tempo livre e também considera seu corte de cabelo "bonito e prático". Quando quer fazer um estilo mais arrumado, ela resolve em casa mesmo, em 10 minutos. "Gosto de deixar a nuca respirar e da sensação de liberdade, de não ter de me preocupar", comenta. Usando um side cut, com um dos lados bem curto, raspado, ela diz que, apesar das vantagens, é preciso ter alguns cuidados. "Nem sempre o cabelo curto vai rejuvenescer", diz. Segundo ela, uma menina jovem que não se sinta bem com o corte e não goste do estilo pode se sentir mais velha.

"Recentemente, os cortes curtos de celebridades como as atrizes americanas Jeniffer Lawrence e Scarlett Johanson e a brasileira Isabella Santoni ficaram entre os mais pedidos nos salões", observa Charbel Chelala, hairstylist na Charbel Visage, no bairro de Lourdes. Ele que chegou a estudar medicina em Beirute, no Líbano, mas há 26 anos se rendeu à carreira, diz que, embora as celebridades sejam fonte de inspiração, o estilo brasileiro é próprio. "A nossa moda respeita as diferenças e propõe um conceito, e não um padrão a ser totalmente copiado."

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A empresária Natália Miranda aponta a praticidade: "Com um corte bonito e uma maquiagem, estou pronta" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Cabelo simétrico ou não, com ou sem volume, irregular, com franja curta ou lateral, nenhuma proposta assusta a professora Fernanda Nader, que aderiu ao estilo há um ano. A mudança aconteceu devagar, mas chegou para ficar. "Primeiro cortei um chanel", lembra. Depois, do cabelo médio ao pixie foi um pulo. "Agora percebo que a cada vez tenho cortado mais curto. Gosto da nuca à mostra e de um pequeno volume. Acho o curto muito feminino." O pixie pode, ainda, inspirar seriedade, como o moderno, curto e irregular escolhido  pela diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ou pela personagem Claire Underwood, (Robin Wright) da série da Netflix House of Cards.

Há 23 anos no setor, a cabeleireira Ana Paula Assis sempre cria variações do estilo no salão Tif’s do Vila da Serra, do qual é também sócia-proprietária. Segundo ela, a mineira, por uma questão de estilo, gosta bastante do chamado long bob, um corte chanel abaixo do maxilar e acima dos ombros. Ana Paula, no entanto, percebe que os pixies estão crescendo entre mulheres cada vez mais jovens. "Fico surpresa, meninas muito novas e até crianças estão pedindo os modelos bem curtinhos." Questionada se qualquer rosto ou fio pode aderir aos curtos, Ana Paula diz que sim. No entanto, alerta que é muito importante um conhecimento de visagismo (arte de criar uma imagem pessoal, de acordo com as características físicas de cada rosto) para que o cabeleireiro acerte no corte. Fernanda Braga, cabeleireira no Espaço Dornelas, no Bairro Mangabeiras, também considera que independentemente do estilo, vale experimentar. Esse é o caso de quem tem o rosto redondo e o efeito pode ser surpreendente. "O curto dá um contorno mais definido a esse rosto, suavizando as linhas." Ela percebe ainda que o movimento pixie vem sendo liderado por meninas cada vez mais jovens. "A geração entre 14 e 20 anos surpreende, com disposição para mudanças radicais", diz Fernanda. Muitas têm trocado o estilo cabelão pelo Joãozinho. "A nuca mais rente e a franja assimétrica da atriz Cláudia Abreu foi um fenômeno."

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A professora Fernanda Nader: "Gosto da nuca à mostra e de um pequeno volume. Acho o corte curto muito feminino" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
A empresária Natália Miranda considera que os cabelos curtos expressam sua personalidade. "Sou muito prática." Usando atualmente um modelo punk bob, que tem um dos lados bem curtos e franjinha irregular, Natália se sente muito bem. "O cabelo curto é também sofisticado. Com um corte bonito e uma maquiagem, já estou pronta." A versatilidade também é um ponto que conta a favor. "Depois de três meses sem vir ao salão, o cabelo já cresce e dá para inovar, com estilo totalmente diferente", defende a empresária. Outra que só vai ao salão de três em três meses é a administradora e gerente de recursos humanos Ilza Siqueira, que aderiu aos curtos há mais de 10 anos. "Consigo arrumar o cabelo em casa e, como o corte dura bastante tempo, não me sinto dependente do cabeleireiro."

Marília Coutinho, cabeleireira e proprietária do Salão Clip Imagem, no Mangabeiras, diz que os cabelos curtos sempre foram revolucionários e são atemporais. "No início do século XX, era usado como comodidade para as mulheres que se inseriram no mercado de trabalho e foi adotado pela [estilista Coco] Chanel com estilo e vigor." Ela ressalta que os cuidados não podem ser deixados de lado. "O cabelo mais curto requer bons finalizadores como pomadas, mousses e protetores térmicos." Cabeleireira e proprietária do salão Jacques Janine, no Santo Agostinho, Flávia Menicucci dá algumas dicas importantes. "A cor é um item que ajuda a realçar o corte curto. Quem é loura, por exemplo, pode experimentar um platinado." Para Flávia, tentar modelos diferentes e experimentar é uma atitude inovadora. "As pessoas não devem adotar um mesmo estilo para sempre. Independentemente do tipo de rosto, todas podem arriscar", diz.

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