ONU alerta para a crescente contaminação da vida marinha com micropartículas de plástico

Estima-se que 529 espécies de animais marinhos sejam afetadas por essa poluição microscópica

por Encontro Digital 04/09/2017 13:03

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As toneladas de plástico jogadas todos os dias no mar se transformam em micropartículas que, ao serem confundidas com alimentos pelos animais marinhos, acabam contaminando as espécies (foto: Pixabay)
Centenas de espécies da fauna marinha, como peixes, moluscos e outras, estão sendo ameaças pela  ingestão do lixo que se acumula no mar em forma de microplásticos, sem que até o momento se saiba a fundo suas causas e consequências. Os últimos estudos apontam que até 529 espécies selvagens já foram afetadas pelos resíduos, um risco mortal que se soma aos outros já enfrentados por dezenas delas em perigo de extinção. A informação é da agência espanhola de notícias EFE.

Por menores que sejam, os microplásticos (de até 5 mm de diâmetro e presentes em vários produtos, como os cosméticos) representam uma ameaça para as mais de 220 espécies que os absorvem, algumas delas muito importantes no comércio mundial, como os mexilhões, as lagostas, os camarões, as sardinhas e o bacalhau.

Relatório recente da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) alertou para as consequências desses resíduos para a pesca e a aquicultura. "Ainda que nos preocupe a ingestão de microplásticos por parte das pessoas através dos frutos do mar, ainda não temos evidências científicas que confirmem os efeitos prejudiciais em animais selvagens", explica a pesquisadora Amy Lusher, uma das autoras do estudo, em entrevista à EFE.

Ela acredita que ainda faltam muitos anos de estudos, dado o vazio de informação que existe sobre o assunto e as muitas inconsistências nos dados disponíveis. Para contribuir com o debate, uma revista da Royal Society, de Londres, especializada em Biologia, publicou recentemente um estudo que sugere que certos peixes estão predispostos a confundir o plástico com o alimento, por terem um cheiro parecido.

Matthew Savoca, líder de um trabalho realizado em colaboração com um aquário de San Francisco, nos Estados Unidos, explica que foram apresentadas a vários grupos de anchovas substâncias com o cheiro de resíduos plásticos recolhidos do mar e outras com o cheiro de plásticos limpos. Os peixes reagiram ao lixo de forma similar à que fariam com o alimento, já que os resíduos estão cobertos de material biológico, como algas, que têm cheiro de comida.

"Muitos animais marítimos dependem muito do seu olfato para encontrar comida, muito mais que os humanos", afirma Savoca, ressaltando que o plástico "parece enganar" os animais que o encontram no mar, sendo "muito difícil para eles ver que não é um alimento".

A FAO lembra que os efeitos adversos dos microplásticos na fauna marinha são observados em experiências feitas em laboratórios, normalmente, com um grau de exposição a estas substâncias "muito maior" do que o encontrado no meio-ambiente.

Em um mundo onde há cada vez mais plástico – a estimativa é que em 2015 tenham sido produzidas 322 milhões de toneladas –, segundo a ONU, a poluição deverá continuar aumentando nos oceanos. Em 2010, por exemplo, foram despejados entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas desse tipo de lixo nos oceanos.

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