Resveratrol da uva pode ajudar contra o câncer

Substância impede a mutação de uma determinada proteína

por Correio Braziliense 27/06/2018 16:47

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A uva é uma fruta rica em resveratrol, substância que, segundo estudo da UFRJ, pode ajudar na prevenção do câncer (foto: Pixabay)
A uva é uma fruta reconhecidamente benéfica para nosso organismo, especialmente por conter substâncias antioxidantes. Agora, cientistas brasileiros descobriram que ela também ajuda no combate ao câncer. Segundo os pesquisadores, o resveratrol, composto bioativo presente na uva, pode prevenir as mutações na proteína p53, uma estrutura presente em cerca de 60% dos tumores. As descobertas foram publicadas na revista científica Oncotarget e devem ajudar no desenvolvimento de medicamentos mais eficientes no tratamento do câncer.

De acordo com Jerson Lima Silva, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos autores do estudo, a p53 é estudada há duas décadas pela sua equipe porque possui uma dupla ação em nosso organismo. "É parecido com a história do médico e do monstro. Quando ocorre algum estresse, como tomar muita radiação ultravioleta na pele, essa proteína toma o controle da situação, realiza a supressão tumoral e faz reparos. Porém, ao sofrer mutações, por algum motivo misterioso, a p53 se modifica e contribui para o crescimento do câncer", explica o cientista em entrevista para o Correio Braziliense.

O estudo, que contou com a participação de cientistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), testou o resveratrol como inibidor da ação maléfica da p53. "Ele já havia sido associado à proteção do câncer. Um estudo realizado em 2012 por nossa equipe também mostrou seus efeitos positivos no combate ao câncer de pulmão", comenta Jerson Silva.

Na nova pesquisa, os cientistas recorreram à técnica de espectroscopia de fluorescência in vitro, um tipo de análise laboratorial extremamente delicada e minuciosa, para observar o potencial antitumoral do resveratrol em agregações de p53 presentes em células humanas. Como esperado, a substância reduziu os tumores.

A equipe também testou a ação da substância em células de câncer de mama implantadas em camundongos e com diferentes mutações da p53. O mesmo efeito de combate às proteínas mutantes foi detectado. "Demos foco a esse câncer por ser um dos mais comuns. É alto o número de casos desse tumor que pode ser letal", afirma o cientista da UFRJ. Ele esclarece que essa proteína está presente em grande parte dos tumores, principalmente do ovário (mais de 90% dos casos), o que reforça o quanto um medicamento à base de resveratrol, atuando nessa mutação, pode contribuir para o combate à doença.

O pesquisador ressalta que mais estudos são necessários para aprimorar os efeitos da substância e, dessa forma, contribuir para seu uso terapêutico. "Um ponto que precisamos mudar é o fato de que usamos uma concentração relativamente alta do resveratrol. Queremos modificar isso e aumentar sua eficácia em 10 vezes", diz ao Correio.

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