Perucas e próteses capilares para devolver a autoestima

Alternativas para pacientes que sofrem com a perda dos cabelos estão cada vez mais modernas

por Daniela Costa 13/10/2016 14:20

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Alexandre Rezende/Encontro
Após o diagnóstico de leucemia, a estudante Tamiris de Sousa Andrade (no centro), de 20 anos, recebeu doações de cabelos de amigas para fazer uma peruca: "Hoje saio na rua e ninguém percebe que estou em tratamento" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
"Mamãe, eu não quero ficar careca." Esse foi o pedido que a pequena Giovanna Silva Nunes, de 5 anos, fez à mãe quando soube que teria de passar por novo tratamento contra o câncer, em maio deste ano. Na primeira vez que a doença surgiu, ela tinha 3 anos de idade. O tratamento, que terminou com a retirada do rim esquerdo, foi bem-sucedido, mas o surgimento de metástases nos dois pulmões exigiu a realização de mais duas cirurgias. "Fiquei surpresa quando ouvi o pedido. Até então, ela não tinha se preocupado com isso", conta a empresária Carolina Novaes Nunes Silva, de 36 anos. Sem saber exatamente como atender ao pedido da filha, a mãe lhe fez uma sugestão, que foi aceita de pronto. "Disse a ela que ficaria linda de qualquer forma, carequinha e até com uma peruca." A menina se entusiasmou. Contava os dias para ter seus cachinhos de volta. Enquanto isso, Carolina corria atrás e se assustava com os preços que encontrava. "Cheguei a desanimar, mas não podia desapontá-la em um momento tão difícil", lembra. Determinada, conseguiu a doação dos fios. "Paguei só a confecção. Saiu bem mais barato", diz.  Vaidosa, Giovanna adora passear com a cabeleira nova e fazer pose para as fotos. "Sem dúvida, está sendo muito importante para a recuperação dela", diz a mãe.

No ateliê do empresário Marcelo Shatsu, da Feira do Cabelo, a confecção de uma peruca artesanal leva, em média, sete horas para ser finalizada. Dependendo do estilo e modelo, a produção pode demandar dias. Algumas são importadas, como as famosas perucas judaicas, feitas em sua maioria com cabelos naturais vindos da Europa ou Ásia, costuradas fio a fio, e que chegam a custar 5 mil reais. "O interessante é que o cabelo brasileiro também é um dos mais caros do mundo, por sua variedade e qualidade", diz. Além de artistas que utilizam apliques, mega hair e até mesmo perucas em seus shows, pacientes com alopecias graves causadas por cicatrizes, perdas genéticas ou doenças como o câncer são os principais clientes. Aos 27 anos, a administradora Ana Gabriela Amorim já passou por problemas que culminaram na alopecia universal, doença que resulta na perda de todos os pelos do corpo. Acostumada a participar de concursos de beleza, em Cláudio, sua terra natal, orgulhava-se das madeixas longas, pretas e sedosas. "Um ano após o nascimento da minha filha, em 2011, percebi que os meus cabelos começaram a cair. Fiquei careca em apenas três meses", lembra. Apesar de não ter obtido resultado com os tratamentos realizados, segue a vida com bom humor. "Uso a peruca quando quero ficar lindona, em ocasiões especiais. Mas, no dia a dia, sou o mais natural possível. Sou grata pela vida", diz.

Rodrigo Guedes/Divulgação
A administradora Ana Gabriela Amorim, de 27 anos, sofre de alopecia universal e perdeu todos os pelos do corpo: "Uso a peruca quando quero ficar lindona, em ocasiões especiais. Mas, no dia a dia, sou o mais natural possível" (foto: Rodrigo Guedes/Divulgação)
No mercado, o cabelo virgem (que nunca passou por processo químico), vendido a quilo, é o mais valioso. E tem fios para todos os gostos. Mas somente os chamados remy possuem qualidade garantida. "São recolhidos de um único doador, o que confere uniformidade na espessura dos fios e por isso praticamente não embolam", explica Marcelo. Tanta sofisticação sai caro, em média 3 mil reais para cada 50 cm. Mas existem opções mais em conta. O cliente pode encomendar a peruca personalizada, feita a partir do próprio cabelo. "Em diagnósticos de câncer, por exemplo, o ideal é cortar o cabelo antes de iniciar o tratamento de quimioterapia para não o enfraquecer e para utilizá-lo na peruca", orienta a empresária Fernanda Tompa, da NTC Soluções Capilares. Foi o que fez a estudante de direito Tamiris de Sousa Andrade, de 20 anos. Em junho deste ano, ela recebeu um grave diagnóstico: leucemia ou câncer na medula óssea. Otimista, aguarda os exames de compatibilidade de doadores em parentes próximos. Enquanto isso, segue fazendo sessões de quimioterapia, que resultam na queda progressiva do cabelo. Mas, já no início do tratamento, tomou uma decisão. "Cortei logo os cabelos para fazer uma peruca, pois sabia que não demoraria muito a perdê-los", afirma. Os fios, que antes eram longos, transformaram-se em uma charmosa peruca estilo chanel. "O mais bacana de tudo é que todas as minhas amigas cortaram os seus cabelos para me doar e apoiar. E até uma garotinha de 6 anos. Hoje saio na rua e ninguém percebe que estou em tratamento. Eu me sinto mais encorajada e saudável."

A empresária Fernanda Tompa explica que outra opção são as próteses capilares invisíveis. "É uma solução definitiva para a calvície, e indolor. Pode ser para a toda a cabeça ou somente para uma parte, de acordo com a necessidade de cada um. A fixação é feita por meio de adesivos, colas ou presilhas." Em se tratando de alopecia masculina, a mais indicada é a prótese colada. "Por incrível que pareça, 30% dos meus clientes são homens", diz Fernanda.

Arquivo pessoal
Vítima de câncer, Giovanna Silva Nunes, de 5 anos, adora passear com a cabeleira nova e fazer pose para as fotos: "Sem dúvida, está sendo muito importante para a recuperação dela", diz a mãe, Carolina Novaes Nunes Silva (foto: Arquivo pessoal)
A estudante de farmácia Isabella Nara Eloy, de 21 anos, faz parte de uma rede de solidariedade. Por causa do estágio de trabalho exigido pela faculdade, passou a conviver com pacientes da ala de oncologia, e decidiu ajudar. "Deixei o meu cabelo crescer por três anos e, em 2014, cortei para doá-lo". A partir daí iniciou uma campanha de arrecadação de cabelos para a confecção de perucas destinadas a pacientes carentes. "É a maneira que encontrei de fazer a minha parte", diz. Para a psicóloga Cláudia Lins Cardoso, professora adjunta do Departamento de Psicologia da UFMG, em casos sofridos como de doenças, tudo se resume ao autocuidado. "Alguns pacientes se sentirão mais fortes com a peruca. Outros, buscando ajuda espiritual. E ainda tem aqueles que partem para atividades filantrópicas. O importante é cada um encontrar o melhor ponto de apoio para restabelecer sua vitalidade", diz.

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