Para mudar o mundo

Diretor da Coordenadoria de Transferência e Inovação de Tecnologia da UFMG, o engenheiro viu a universidade virar líder em depósitos de patentes entre instituições de pesquisa no Brasil

por Carolina Daher 10/01/2017 15:37

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Alexandre Rezende/Encontro
O engenheiro Gilberto Medeiros, chefe do setor responsável pela criação de patentes da UFMG, líder no país: "Queremos manter esse ritmo, porque na crise, enquanto todo mundo se recolhe, é hora de ganhar espaço" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Educação

Gilberto Medeiros Ribeiro

Nasceu em Belo Horizonte
48 anos
Casado, 2 filhos
Formado em engenharia elétrica pela UFMG. Mestrado e doutorado em física pela UFMG e Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, Estados Unidos. Diretor da Coordenadoria de Transferência e Inovação de Tecnologia da UFMG

Com quase 90 anos de idade, a Universidade Federal de Minas Gerais é uma senhora que não para de inventar moda. Em seus 200 laboratórios, existem mais de 800 grupos de pesquisa encontrando soluções capazes de resolver questões cruciais no nosso dia a dia. De armadilha para mosquito da dengue a carro capaz de percorrer quase 600 quilômetros com 1 litro de combustível, de lá saem tecnologias que possibilitam novos rumos ao país. São tantos projetos que, em 2015, a universidade liderou o ranking entre as instituições de pesquisa nacionais que mais registraram patentes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Foram 56. "Ter patente não quer dizer nada, mas não ter quer dizer muito", afirma Gilberto Medeiros, diretor da Coordenadoria de Transferência e Inovação de Tecnologia (CTIT). "É essencial levar o conhecimento do laboratório para o mercado." Para ele, as entidades que não investem em registrar seu conhecimento científico estão em câmera lenta e não deram nem o primeiro passo para o desenvolvimento.

Atualmente, a UFMG é uma das maiores responsáveis pela produção científica brasileira. Responsabilidade difícil de carregar. Só para se ter uma ideia, o prazo médio para uma patente ser chancelada no país gira em torno de 11 anos. "Pelo INPI, conseguimos o depósito apenas no Brasil, então precisamos também pedir a patente em outros países, onde serão fabricadas ou usadas essas descobertas científicas, como China e Estados Unidos", diz. E tudo isso tem um preço. Para registrar uma ideia, processo ou tecnologia em território americano, os custos começam em 50 mil dólares. Atualmente, uma em cada dez tecnologias desenvolvidas na universidade está no mercado. No ano passado, uma das grandes descobertas saiu de uma pesquisa comandada por professores de física, química e engenharia. Juntos, criaram um concreto mais resistente, devido ao uso de nanotubo de carbono. "O resultado prático disso são construções que demandam menos uso de cimento e com estruturas mais duradouras", diz Gilberto.

Muito além dos tubos de ensaios e computadores de ponta, a liderança da UFMG se dá graças ao material humano. São cerca de 3 mil professores que investem pesado em pesquisa. "A maior riqueza que temos no campus é intelectual", afirma Gilberto, que tem em seu currículo passagens pela multinacional americana Hewlett-Packard Company (HP), onde trabalhou por nove anos na sede em Palo Alto, Califórnia, e também pelo Laboratório Nacional de Luz Sincroton, importante instituição de pesquisa localizada em Campinas. Nascido em Belo Horizonte e criado no Sion, Gilberto está feliz em voltar para sua terra natal. Em 2014, assumiu a diretoria da CTIT, no mesmo campus onde se formou em engenharia elétrica, nos anos 1990.

Nem a crise que assola o país nos últimos dois anos é capaz de tirar o sorriso de Gilberto. "Queremos manter esse ritmo, porque na crise, enquanto todo mundo se recolhe, é hora de ganhar espaço", diz. Com escassez de recursos, afirma Gilberto, é preciso descobrir formas de fazer mais com menos. Nisso, a turma de lá é expert. "Sabemos que as crises são cíclicas, como inverno e verão", diz. Em 2016, a UFMG depositou 84 patentes. Se depender do entusiasmo de Gilberto, a universidade não precisará esperar o clima melhorar para realizar as colheitas. Afinal, as boas ideias não respeitam calendários, elas surgem quando menos se espera.

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