Pets precisam de atenção redobrada no inverno

A estação mais fria do ano exige cuidados com a saúde dos animais, sejam eles domésticos ou silvestres. Confira dicas de especialistas

por Daniela Costa 25/07/2017 14:33

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Ronaldo Dolabella/Encontro
A empresária Juliana Bhering e o filho Bruno moram em Macacos, região conhecida pelo frio intenso no inverno: "Já providenciei roupas, caminhas e cobertinhas para os meus cães, o shih-tzu Lilo e o pug Beto. Gosto de vê-los bem protegidos", diz ela (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Quando o inverno chega, os dias ficam mais curtos e as noites, mais longas e geladas. Para não sofrer com as alterações climáticas, tanto humanos quanto animais precisam de proteção adequada, especialmente os mais frágeis. Apesar de a temperatura do ambiente ser a mesma para todos, a forma como o organismo de cada espécie reage é diferente. Animais homeotérmicos, categoria em que se enquadram todas as aves e mamíferos, entre eles cães e gatos, são os chamados de sangue quente. Assim como as pessoas, mantêm a temperatura interna constante, independentemente do clima externo.

Precisam, no entanto, de cuidados. Nas estações mais frias, o risco de hipotermia (quando ocorre a queda da temperatura) é grande. "O processo é fatal abaixo dos 28° C e moderado até os 35° C", diz a veterinária Raquel Cheyne Prates, da Kawulo Bem-Estar Animal. "O ideal é que a temperatura fique entre os 38° C e 39° C." Cães pequenos e com pelagem curta, como pinscher, dachshund e chihuahua, sofrem muito com o frio. É assim também com os animais com pelos longos tosados, bem como filhotes, idosos ou debilitados. A empresária Juliana Bhering mora em São Sebastião das Águas Claras (Macacos), região próxima à capital conhecida pelo frio intenso no inverno. "Já providenciei roupas, caminhas e cobertinhas para os meus cães, o shih-tzu Lilo e o pug Beto. Gosto de vê-los bem protegidos", diz. De fato, todo cuidado é pouco. Entre as doenças mais comuns nesse período estão a tosse dos canis e a cinomose - altamente contagiosas -, bronquites e pneumonias. As doenças respiratórias e osteoarticulares também preocupam, entre elas artrite, artrose e doenças degenerativas dos discos intervertebrais.

Ronaldo Dolabella/Encontro
A estudante Bárbara Peixoto e sua mãe, a fisioterapeuta Ana Paula Santos, investiram em um termostato para a água da tartaruga Clô: "Percebi que ela ficou muito mais confortável e ativa", diz Ana Paula (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
A situação é ainda pior para os animais de sangue frio. Peixes e répteis, entre eles tartarugas, cobras e camaleões, são os chamados pecilotérmicos ou ectotérmicos, quando a temperatura corporal varia de acordo com o ambiente. E é aí que está o risco. "Isso significa que são incapazes de gerar o próprio calor e necessitam de fontes externas para regular a sua temperatura corporal", diz a veterinária Marcela Ortiz, especialista em animais silvestres. A maioria dessas espécies precisa ficar exposta ao sol ou a equipamentos elétricos que gerem calor, como lâmpada e aquecedor com termostato. Quando perceberam que a tartaruga Clô estava mais quieta, a estudante Bárbara Peixoto e sua mãe, a fisioterapeuta Ana Paula Santos, investiram em um termostato para aquecer a água da banheira. "Ela ficou muito mais confortável e ativa", diz Ana Paula. Além de influenciar o metabolismo, uma temperatura ambiental inadequada leva à queda de imunidade e a doenças. No entanto, é importante ter atenção com os aquecedores manuais, que podem elevar muito a temperatura da água ou ambiente e provocar a morte do animal.

Para todas as espécies é preciso ter cuidado com o excesso de alimentação no inverno. Como a atividade física acaba sendo reduzida, a perda calórica também diminui e pode resultar em obesidade. A dica é distribuir a mesma quantidade de ração dada aos pets quando está mais quente, ou acrescentar apenas 20% a mais, em três porções diárias, para que tenham mais saciedade.

Veja qual é a temperatura ideal do seu pet


Cão grande
: 37,4 a 39,0 ºC
Cão pequeno
: 38,0 a 39,0 ºC
Gato
: 38,0 a 39,0 ºC

Dicas importantes para proteger os animais quando o clima esfria


  • Os banhos devem ser bem espaçados e em temperatura morna
  • Jamais deixe o animal com o pelo úmido, seque-os bem
  • Passeios devem ser feitos somente nos horários mais quentes do dia
  • Proteja sempre os animais de guarda que ficam ao relento com anteparos nas casinhas, como cobertores e colchonetes
  • Os animais de sangue frio também precisam de atenção redobrada, como uso de aquecedores nos terrários
  • Fique atento aos sintomas da hipotermia (queda da temperatura): arritmias, hipotensão, queda da frequência cardíaca, depressão respiratória, tremores, mucosas pálidas e pupilas dilatadas
Fontes: especialistas convidados

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