Móveis e outros objetos vintage são tendência no design de interiores

Carregadas de estilo, peças clássicas garimpadas em antiquários ou no acervo da família despertam a memória afetiva

25/09/2017 13:59

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Violeta Andrada/Encontro
O arquiteto e designer Luis Fábio Araújo: "Pontuar ambientes sofisticados com peças ícones faz da casa um lugar onde vive gente, não uma capa de revista" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
O uso de peças clássicas ou com design de outra época traz personalidade e humaniza o ambiente contemporâneo e funcional, além de ser um afago à memória afetiva. Em 2018, o diálogo entre os tempos deve ficar ainda mais forte. Na feira internacional de arquitetura e design em Milão, conhecida por adiantar tendências, o estilo vintage é marcante em projetos modernos e aconchegantes. Essa combinação entre o contemporâneo e o clássico é uma costura delicada, que precisa ser feita de forma cuidadosa. "Pontuar ambientes sofisticados com peças ícones faz da casa um lugar onde vive gente, não uma capa de revista", diz o arquiteto e designer Luís Fábio Araújo. "Peças clássicas - que podem até ser de antiquário, como cômodas, cadeiras ou pequenas mesas - resultam em produções belíssimas", observa. Mas é claro que esses objetos vintage precisam aparecer como destaque, não podem pesar ou ser utilizados em exagero.

Depois de fazer em seu apartamento um corredor dedicado às memórias da família, com quadros que retratam também a Belo Horizonte das décadas de 1940 e 1950, a psicanalista Ana Maria Batista decidiu dar um toque vintage a sua sala. Em um antiquário, comprou uma cômoda da década de 1960 com pés palito e já encomendou um projeto especial para o móvel, que, com acréscimo de vidro, vai ser transformado em uma cristaleira. Outra peça comprada por Ana Maria foi um telefone JK verde e lustres com geometria circular. Ficou satisfeitíssima. "Gosto da arquitetura que vê o universo da família e consegue levar para o projeto as ideias que temos."

Ronaldo Dolabella/Encontro
Mariana Nogueira, diretora da Diversa Arquitetura, criou na Casa Cor uma sala feminina para vestir, com peças das décadas de 1950 e 1960: "Como os cheiros e sabores, a arquitetura também desperta a memória" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
O uso do design de épocas passadas - como item de personalidade - não é nenhuma uma novidade. "Mas agora o conceito está completamente aceito", afirma a arquiteta Luciana Czechmeister. Ela  gosta desse diálogo entre os tempos, mas considera que o segredo de um projeto "universalmente belo" está no equilíbrio. Não basta ter uma peça ícone de design, é preciso que os objetos tenham beleza, ergonomia, significado e que dialoguem entre si. Sem medo de experimentar, Luciana já deu novo uso a móveis antigos de fazenda e trouxe para um lavabo contemporâneo gradis de ferro fundido de um moinho. "Muitos objetos podem estar em lugar diferente de sua concepção original", explica.  A única coisa que não pode, segundo a arquiteta, é a regra de uma moda única, ou o uso de um objeto em um projeto "por modismo, e não por sua adequação."

"O estilo retrô e neovintage (que confere a peças novas ares de antigamente), assim como os tons de azul, serão uma tendência no design em 2018", confirma Mariana Nogueira, diretora da Diversa Arquitetura. Para ela, o uso desses itens torna a casa menos clean e mais aconchegante para seus moradores. Em seu projeto na Casa Cor, a arquiteta se inspirou nessa conversa entre os tempos para montar uma sala de vestir onde o ambiente feminino foi retratado com peças de antiquário, piso de madeira e itens ícones do design. Em um espaço contemporâneo, Mariana usou modelos da década de 1950, como uma luminária retrô medusa e poltrona Art Duo em couro vermelho, porta-retratos antigos e sofá com estofado azul. Papel de parede em tom suave ajudou a trazer certa intimidade ao espaço. Na parede contemporânea, a arquiteta pendurou divas retratadas pelo artista Rogério Fernandes e, na penteadeira, a iluminação lateral em LED remete a um conceito atual da sustentabilidade. "O uso dessas peças clássicas traz um calor humano ao projeto contemporâneo. Da mesma forma que os cheiros e sabores trazem lembranças, a arquitetura também pode despertar essa memória. Um projeto não deve abrir mão da história de seus moradores", diz a arquiteta.

Ronaldo Dolabella/Encontro
Garimpo: a psicanalista Ana Maria Batista fez em sua casa um corredor com recordações da família (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Objetos  trazidos de viagem como espelhos e vasos de cristal estão em destaque na casa da funcionária pública Jailda do Amaral. Na decoração contemporânea do apartamento, ela também escolheu algumas peças atemporais, como lustres e cadeiras, que aquecem o clima da casa. "Gosto dos projetos leves e acho que os objetos clássicos dão beleza e elegância ao design contemporâneo." Na cristaleira, aparece com destaque um aparelho de chá de 150 anos. "Foi uma herança da minha mãe", conta. A louça antiga confere charme ao móvel moderno, suspenso no ar.

Na busca pela humanização dos ambientes e por efeitos interessantes em seus projetos contemporâneos, a designer de interiores Laura Santos já recuperou várias peças de família, como cristaleiras, aparadores e espelhos. "Gosto de buscar móveis em antiquários ou no próprio acervo da família. Em Belo Horizonte também temos bons fornecedores."

Dando vida nova ao mobiliário, Laura acredita proporcionar um modelo mais sustentável. Para ajudar o clima retrô, ela recorre a recursos como o papel de parede e não tem medo das cores. Até mesmo um móvel colorido com design vintage pode ser usado como detalhe. "Essas peças deixam o ambiente mais humano."

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