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Estado de Minas PET | SAúDE

Você sabe em quais casos a eutanásia é indicada para os pets?

Especialistas falam sobre a difícil decisão de tirar a vida de um animal de estimação e quando a medida pode ser realmente necessária


postado em 17/10/2017 16:06 / atualizado em 17/10/2017 16:13

Após a morte do gato Lord, a gerente Luiza Papini recuperou a alegria com a gatinha Nina:
Após a morte do gato Lord, a gerente Luiza Papini recuperou a alegria com a gatinha Nina: "Acompanhei todo o processo da eutanásia. Enquanto ele dormia, a veterinária orava o Pai Nosso. Foi um conforto para mim" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
"Quando temos de considerar a possibilidade de realizar a eutanásia, vivemos um grande dilema", desabafa o veterinário Denerson Rocha, da Clínica Veterinária Vida Animal. "A primeira questão que  nos ocorre é se, de fato, temos a capacidade de decidir pela interrupção de uma vida." Fazer parar os batimentos cardíacos, a respiração e todas as funções vitais de um organismo, culminando na morte, é uma medida polêmica, sofrida, mas, em muitos casos, necessária. "A vida merece ser cuidada e respeitada com todos os recursos disponíveis, e a eutanásia deve ser considerada apenas em casos excepcionais", diz Denerson.

Tanto o profissional quanto os proprietários devem ser muito criteriosos para não tomarem uma decisão equivocada e, em algum momento, perceberem que ainda havia chance de recuperação. Afinal, os bichos são seres portadores de sensações e sentimentos, protagonistas de uma história que deixará memórias e muitas saudades. Muitas vezes, são considerados parte da família. Mesmo quando a cura não é vislumbrada, é possível que o pet viva em tratamento contínuo, sem comprometer a sua qualidade de vida. "Não é assim que faríamos se fosse com um humano? Em uma primeira análise, é preciso se colocar na pele do animal e excluir os fatores práticos e financeiros. Se houver dúvida, é porque a eutanásia não é a decisão mais acertada", diz o veterinário Gilson Dias Rodrigues, da Associação Bichos Gerais.

Junto de seus cães Dama, Zorro e Olívia, a ginecologista Samia Jabour guarda lembranças do yorkshire Brutus, que viveu até os 16 anos:
Junto de seus cães Dama, Zorro e Olívia, a ginecologista Samia Jabour guarda lembranças do yorkshire Brutus, que viveu até os 16 anos: "Uma noite ele começou a chorar baixinho de dor e então percebi o quanto estava sofrendo" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
A adoção de terapias alternativas e complementares como homeopatia, acupuntura e fisioterapia, aliadas a modernos medicamentos, pode trazer sobrevida aos bichos e permite que a família possa vivenciar o processo de despedida de forma natural e com serenidade. Mas e quando não há outra saída? Durante um ano o psicólogo Mauro Vilela acompanhou a cadela Bianca, rottweiler de 7 anos, a repetidas visitas ao veterinário para tratar de um câncer no sistema linfático. Em fevereiro, quando ela já não andava nem comia mais, viu-se diante da dura decisão. "Eu me lembro de olhar dentro dos olhos dela e falar: ‘te peguei pequenininha, cuidei de você durante toda a sua vida e vou ficar do seu lado até o fim’." A certeza de que havia feito tudo o que estava ao seu alcance para salvá-la é o que lhe conforta. Hoje, a companhia de Bernardo, irmão de Bianca, e de seus outros cães diminui a sua dor.

A ginecologista obstetra Samia Jabour não aceitava a ideia de ficar sem o yorkshire Brutus, de 16 anos, mesmo após ele passar a usar fraldas e a se alimentar via seringa. Acostumada a trazer vidas ao mundo, não se rendia à eutanásia: "Uma noite ele começou a chorar baixinho de dor e então percebi o quanto estava sofrendo. Só então aceitei a sugestão do médico que o acompanhava."

O psicólogo Mauro Vilela supera a perda da cadela Bianca ao lado do vira-lata Troy e do rottweiler Bernardo:
O psicólogo Mauro Vilela supera a perda da cadela Bianca ao lado do vira-lata Troy e do rottweiler Bernardo: "Eu me lembro de olhar dentro dos olhos dela e falar: 'te peguei pequenininha, cuidei de você durante toda a sua vida e vou ficar do seu lado até o fim'" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Para o veterinário Marcos Mourão, da clínica Cães e Amigos, a eutanásia só deve ser realizada quando o animal estiver em situação de muito sofrimento, após avaliação de profissionais responsáveis. "Infelizmente, é comum tutores nos procurarem com o intuito de ‘sacrificar’ seus animais porque estão velhos, ou porque possuem alguma doença que exija mais cuidados. É muita falta de amor." Ele explica que o procedimento é feito mediante uma injeção de tranquilizante, seguida de altas doses de anestésicos, resultando na paralisação do funcionamento dos pulmões, cérebro e coração. "Faz-se todo o possível para que o animal não sinta dor", diz.

Olhando a foto de Lord, gato sem raça definida, a gerente Luiza Papini não esconde a emoção. Há quatro anos o adotou com uma doença grave e mesmo assim conviveram por incríveis nove meses. "Foram dias de muita alegria. Agradeço por todos os momentos que vivemos juntos." O quadro se agravou e evoluiu para insuficiência renal, chegando a um estado quase vegetativo. "Acompanhei todo o processo da eutanásia", lembra. "Enquanto ele dormia, a veterinária orava o Pai Nosso. Foi um conforto para mim." Meses depois, ela adotou os gatinhos Nina e Billy, seus novos companheiros.

O veterinário Denerson Rocha orienta aqueles que estão passando por esse momento tão difícil: "Esqueça um pouco as considerações técnicas e, com o coração aberto, deixe que o seu companheirinho participe da decisão. Tente entender o que ele está sentindo e a resposta virá."

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