Museu Histórico Abílio Barreto preserva a memória de Belo Horizonte

O local, no bairro Cidade Jardim, proporciona uma visita ao passado da capital mineira

por Geisiane Martins 27/11/2017 16:33

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Violeta Andrada/Encontro
O casarão, construído em 1883, é um dos resquícios históricos da antiga Fazenda do Leitão: uma das mais produtivas da região do arraial do Curral del Rey (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Em 1935, quando a capital mineira completava 38 anos, o jornalista Abílio Barreto foi convidado a organizar o Arquivo Geral da Prefeitura. Ele passou então a recolher documentos e objetos que faziam parte da história de BH e os dividiu em duas seções: peças do antigo arraial do Curral del Rey e as do surgimento e estruturação da cidade planejada pelo grupo de engenheiros liderados por Arão Reis. Alguns anos depois, foi escolhido para acolher esse material todo o casarão da fazenda do Leitão, construído em 1883 e que havia sido adquirido pela prefeitura em 1938, além dos arredores, para a construção de um novo bairro, o Cidade Jardim. O Museu Histórico de Belo Horizonte foi inaugurado em 1943, na esquina da avenida Prudente de Morais e da rua Bernardo Mascarenhas. Recebeu a denominação atual 24 anos depois, em homenagem a seu idealizador.

"O Museu Histórico não tem a ver somente com o passado", diz a diretora, Natercia Pons. "Ele existe para promover ações, pesquisas e diálogos nos quais a cidade seja vista por cada um a partir do que ela já foi." O acervo conta com mais de 80 mil itens, distribuídos em quatro categorias: o tridimensional, o textual, o fotográfico e o bibliográfico, que recebem doações constantes. "A história não é só passado. É preciso saber ver, ouvir e ter o senso crítico para relacionar o que passou ao presente e entender como isso altera nosso futuro", afirma Natercia. Atualmente, a exposição Belo Horizonte - Cartografia de uma Cidade Planejada traz os projetos originais da capital. A biblioteca, especializada na história de Belo Horizonte, abriga grande parte do acervo total do museu, com cerca de 15 mil itens. Podem ser encontrados ali livros, periódicos, materiais audiovisuais, catálogos de exposições, folhetos informativos e uma extensa hemeroteca.

Violeta Andrada/Encontro
O bonde elétrico que passava pelo bairro Padre Eustáquio na década de 1960: único remanescente dessa época (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Nos jardins, os visitantes se deparam com surpresas como a locomotiva a vapor conhecida pelo nome de Mariquinha, que operava na época da construção da capital. Há também o bonde elétrico, único exemplar que restou da frota da cidade e que circulava por aqui na década de 1960, e um carro de boi que fazia parte dos maquinários da fazenda do Leitão. Na década de 1990, após a criação da Associação dos Amigos do Museu Histórico Abílio Barreto (AAMHAB) –, que até hoje é a principal parceira do museu na captação e gerenciamento dos recursos financeiros –, foi construído um novo prédio, onde funciona a sede da instituição. O projeto foi pensado para dividir os espaços das exposições e abrigar toda a área administrativa do local. Contrastando com o cenário bucólico, o design é todo em estrutura metálica e vidros. "Com esse contraste é possível viajar no tempo em segundos. Se a sede remete ao futuro, é só dar alguns passos e entrar na casa de fazenda que tem mais de 130 anos, feita de adobe e pau a pique", diz Natercia.

Gastronomia de além-mar
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O chef Cristóvão Laruça, proprietário do Caravela: "De todos os estados que já conheci, Minas é com certeza o estado mais português. E não só na culinária" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Para completar a programação histórica, que tal uma refeição que nos remeta às origens. É essa a proposta do restaurante Caravela, que desde agosto traz suas delícias para o espaço cultural. "De todos os estados brasileiros que já conheci, Minas é, com certeza, o estado mais português. E não só na culinária", diz o chef e proprietário Cristóvão Laruça. O Caravela aporta no Museu Abílio Barreto após funcionar dois anos em um condomínio em Casa Branca, na cidade de Brumadinho. Assim que soube da disponibilidade do museu, agendou uma visita. "Foi amor à primeira vista." Localizado no edifício construído nos anos 1990, o restaurante de Cristóvão tem pratos como o filé mignon na pimenta-verde à moda dos navegadores (servido com esparregado de espinafres e laminados de mandioquinha) e a cataplana à moda de Goa (camarões-rosa, em combinação com bananas-da-terra e leite de coco).

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