Começou a temporada de voos de parapente na Serra da Moeda

A atividade atrai um número cada vez maior de mulheres

por Daniela Costa 23/04/2018 16:24

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Violeta Andrada/Encontro
Pilota e instrutora, Kamira Luz Jaffar quebrou a hegemonia masculina no parapente em BH: "As mulheres são mais receosas, mas também são corajosas e adoram vencer desafios. Incentivo todas a voar para superar seus limites" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
A sensação de planar a milhares de metros de altitude é algo que os praticantes de voo livre dizem ser indescritível. Dependendo do local pode se chegar a incríveis 5 mil metros. O melhor é que o esporte de aventura pode ser praticado bem próximo da capital mineira, a 35 quilômetros do centro de BH, na Serra da Moeda. A praticidade do planador não motorizado que precisa apenas das forças da natureza e da destreza do piloto para decolar e pousar atrai um número cada vez maior de adeptos. Mais uma boa notícia: com as chuvas dando uma trégua começa a alta temporada dos voos, que vai até novembro. O equipamento necessário para praticar o esporte é composto por velame, selete (cadeirinha para assento), para-quedas reserva, capacete e mosquetões. Há 12 anos atuando como paraquedista, piloto e instrutor de parapente, Guilheme Oliveira Cruz, mais conhecido como Monstrinho, da escola FlyMonster, garante que o esporte é seguro, desde que praticado por profissionais qualificados. "Tendo boas referências do piloto, o desafio está apenas em vencer o medo de altura", diz.

Apesar de o berço do parapente ser a França, mais especificamente Mieussy, na região dos Alpes Franceses, onde o esporte é praticado desde 1970, o Brasil é agraciado com alguns dos melhores lugares do planeta para se voar de parapente. Minas Gerais é um dos pontos de referência, tanto que a cidade de Governador Valadares é conhecida como a capital nacional do voo livre. Na região metropolitana de Belo Horizonte, o alto da Serra da Moeda conta com uma extensa rampa caprichosamente talhada pela natureza para a realização das decolagens. Ventos constantes e térmicas fortes (como são chamadas as correntes de ar) tornam o local ideal para a prática do esporte, sem falar no cenário deslumbrante com o mar de montanhas mineiras. Para garantir a segurança da atividade, os voos só podem ser realizados por instrutores habilitados pela Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL) ou pela Associação Brasileira de Parapente (ABP) e fiscalizados pelo Clube de Voo Livre de Belo Horizonte (CVLBH), responsável pela administração da área.

Violeta Andrada/Encontro
A empresária Ana Carolina Borges veio de São João del-Rei para BH somente para voar de parapente: "Fiz o meu primeiro voo e me senti muito segura. É um misto de liberdade e encantamento" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
O grande barato é que não são apenas os atletas amadores e profissionais que podem voar. Qualquer pessoa que quiser se aventurar nas alturas pode praticar o voo duplo de parapente. Munido dos equipamentos necessários e seguindo todas as normas de segurança, o instrutor acompanha o visitante do início ao fim. Nesse caso, o velame utilizado é próprio para suportar o peso duplo e as cadeirinhas são individuais. Em média, são 20 minutos de voo sobre um cenário de tirar o fôlego. Ao contrário do que se possa imaginar, a sensação de quem está voando não costuma ser de medo. "Fiz o meu primeiro voo em março e me senti muito segura. É um misto de liberdade e encantamento", diz a empresária Ana Carolina Borges, de 32 anos. Natural de São João del-Rei, ela veio a BH especialmente para ter a experiência. Durante o voo, é possível fazer fotos e até filmar a performance. Para os mais ousados, algumas acrobacias garantem uma dose extra de adrenalina.

Violeta Andrada/Encontro
A educadora infantil Debora Lúcia Rocha começou a voar de forma despretensiosa. Dois anos depois, já se aventura sozinha: "Sempre que posso, venho praticar. Para mim é uma verdadeira terapia" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
O esporte pode ser praticado por pessoas a partir dos 14 anos e tem sido cada vez mais procurado pelo público feminino. "De uns oito anos para cá, o número de praticantes aumentou bastante e tenho muitas alunas fazendo o curso. Acredito que seja porque o esporte não exige força, e sim habilidade e agilidade", diz o instrutor de parapente Guilherme Peixoto, da escola Base da Nuvem. A educadora infantil Debora Lúcia Rocha, de 52 anos, começou a voar de forma despretensiosa, até que tomou gosto e se matriculou no curso de parapente. Após passar por aulas práticas e teóricas, aprendeu exercícios de pilotagem, manobras de descida e a respeitar as diversidades climáticas. Dois anos depois, orgulha-se de pilotar sozinha. "Sempre que posso venho praticar. Para mim é uma verdadeira terapia", diz. Apesar de a grande maioria dos instrutores ainda serem homens, uma mulher resolveu quebrar a hegemonia masculina no parapente em BH. Depois de seis anos de prática, a fotógrafa e bailarina Kamira Luz Jaffar, de 28 anos, dedica-se a pilotar e monitorar alunos. "As mulheres são mais receosas, mas também são corajosas e adoram vencer desafios", diz. "Incentivo todas a voar para superar seus limites." Para quem quer fazer o curso, o equipamento é emprestado pelas escolas de parapente e o custo mensal gira em torno de 500 reais. Já o voo duplo isolado sai a  350 reais, com fotos e vídeo inclusos. O curso tem duração média de um ano, com duas a três aulas por semana, preparando o aluno para voar com as próprias asas. Ou melhor, com o próprio parapente.

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