Conheça mulheres que comandam empresas mineiras de sucesso

Elas são preparadas, inovadoras e sem medo de desbravar fronteiras. Assim, estão transformando, para melhor, o rosto das empresas mineiras

por Marina Dias 19/04/2018 16:18

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Ronaldo Dolabella/Encontro
(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Em cima da mesa de trabalho de Roberta Assumpção, de 34 anos, fica uma foto de sua avó paterna, dona Branca. Roberta não chegou a conhecê-la, mas ela tem sido a principal inspiração para a vida profissional da mineira. A jovem está no caminho sucessório para assumir a empresa da qual seu pai, Mauro Assumpção, é presidente: a fabricante de blocos cerâmicos Braúnas. E como é que a avó entra nessa história? A italiana durona mas generosa comandava a empresa de tijolos antes de Mauro. "A foto é para eu me inspirar nessa gestão que eu acho que é de equilíbrio: firme mas generosa, forte mas delicada. Desde que entrei na empresa, conversei com várias pessoas que ainda se lembram da atuação da minha avó, e se lembram de forma muito positiva", conta ela, que hoje é diretora comercial e de inovação. "Estou resgatando isso aos poucos."

Dona Branca teve de assumir a Braúnas no susto, após a morte do marido e fundador do negócio, Francisco Cardoso Assumpção, para criar os sete filhos. Já sua neta escolheu entrar nessa empreitada por livre e espontânea vontade. Ela ingressou na Braúnas no início de 2017 e, de lá para cá, já implantou diferentes projetos, tanto mudando processos internos quanto relativos ao futuro da alvenaria e de materiais para tijolos. Aliás, o cargo que ocupa atualmente, antes de ser dela, era apenas "diretoria comercial" - "o departamento de inovação sou eu quem está estabelecendo mesmo", afirma.

Quando Roberta assumir definitivamente a Braúnas, vai ajudar a diminuir desproporções que ainda são evidentes no mundo empresarial. Apenas 5% das presidências de grandes companhias mundo afora eram ocupadas por mulheres em 2015, segundo a Organização Internacional do Trabalho. Aliás, de acordo com o relatório, quanto maior a empresa, menor a chance de o comando ser feminino. No Brasil, esse número estava em 10% no mesmo ano. Em termos de cargos gerenciais, o número mais recente do IBGE, de 2018, é de que 37,8% deles são ocupados por mulheres, apesar de elas representarem pouco mais da metade dos trabalhadores (51,7%) brasileiros.

Ao falarmos de donos de negócios, os números não são mais animadores. No país, mulheres representam cerca de 30% dos empreendedores: em 2015, eram 8 milhões de mulheres e 17,5 milhões de homens. A boa notícia é que essa desigualdade está diminuindo. De 2005 para 2015, a expansão do número de donas de negócios foi de 15,4%, sendo que o número de homens donos de negócios cresceu 10,5%. Em relação a empresas de micro e pequeno porte - que são a maioria esmagadora dos negócios no Brasil -, elas já são maioria entre as empreendedoras em estágio inicial. "As mulheres vêm tomando essa frente. Que fique claro que elas sempre trabalharam muito, mas eram menos presentes no mercado formal", afirma Jaqueline Lima, analista da unidade de educação e empreendedorismo do Sebrae-MG. "Elas estão se empoderando e se articulando melhor. Especializam-se e procuram oportunidades."

Outro dado positivo é quanto ao senso de inovação que elas trazem para o mundo dos negócios. De acordo com a pesquisa GEM 2016-2017, que trata de empreendedorismo no mundo, mulheres empreendedoras têm 5% mais chance de serem inovadoras. "Esse dado contrapõe qualquer ideia de que inovação é um domínio masculino", afirmou a empreendedora e jornalista Susan Price, em artigo para a Forbes. A informação quer dizer que mulheres têm mais probabilidade do que os homens de introduzir produtos e serviços novos aos consumidores, ou seja, não aqueles já oferecidos pelos competidores.

Formada em farmácia e bioquímica, foi justamente pela inovação que a mineira de Três Pontas Vanessa Vilela fundou seu negócio, a empresa de cosméticos Kapeh. Após anos trabalhando na indústria farmacêutica, Vanessa, que sempre quis ter a própria marca, resolveu começar a pesquisar de que forma iria empreender. Oriunda de uma região cuja principal atividade econômica é a produção cafeeira e vinda de uma família que também era envolvida com o agronegócio, ela decidiu estudar a possibilidade de basear o empreendimento no grão. "Fiz parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (Ufla) e destrinchamos toda a composição química do café. Vimos que ele, em sua forma verde, antes da torra, é extremamente rico e benéfico para nossa pele, altamente antioxidante, com altíssimo teor de clorogênicos, cafeína, flavonoides", explica. Com essa oportunidade em mãos, passou a desenvolver os produtos - inicialmente, sete, atualmente, 130 - da Kapeh, palavra que quer dizer café no dialeto maia. "Foi um estudo bem pioneiro. A cafeína já era muito usada na indústria cosmética, mas apenas ela, e obtida não só do café, mas de várias fontes", diz.

E não é apenas esta a geração a pensar à frente. A empresária Flávia Fulgêncio herdou da mãe o espírito inovador. Ana Maria Fulgêncio, que fundou a escola de inglês Green System em 1973, já inovara quando começou a oferecer novas formas de experiências com o inglês - levando as turmas para a Disney, promovendo intercâmbios e abrindo turma para crianças a partir de 4 anos de idade. Flávia levou a inovação além e abriu a EBI (Escolas Bilíngues Internacionais), empresa que implanta programas bilíngues em escolas tradicionais, dotando-as da capacidade de oferecer conteúdos em inglês. É a única do Brasil que trabalha com conteúdo escolar específico (e não temas genéricos) e tem a chancela da National Geographic Learning. "Minha mãe fez uma parte extremamente difícil, que foi começar do zero, tirar o negócio do nada", afirma Flávia, que, além de ter fundado a EBI, é diretora acadêmica do grupo Green. "Eu não tive dificuldades, como mulher, de empreender ou chefiar, mas minha mãe, sim, naquela época."

A inovação também falou mais alto como oportunidade de negócios no caso da empresária Miriam Penna Diniz. Ela, que havia assumido a empresa de montagens metálico-mecânicas fundada pelo pai, Aníbal Paulo Diniz, não ficou satisfeita apenas com tocar o negócio familiar, ainda que a Emap estivesse crescendo mais de 100% ao ano. Enquanto participava da execução da obra de reforma do estádio Mineirão para a Copa do Mundo de 2014, teve a chance de montar a usina solar da arena para uma empresa estrangeira que havia ganho a concorrência da empreitada (não havia empresas brasileiras no páreo). Ao perceber que essa área e essa tecnologia eram ainda pouco exploradas no país, decidiu investir nisso. Abriu primeiramente um braço na empresa voltado para esse projeto e, com o tempo, voltou-se de maneira exclusiva para o empreendimento na área fotovoltaica, junto a dois sócios. "Entramos no mercado em um momento muito inicial do negócio no Brasil", afirma. "O Mineirão é praticamente o primeiro projeto de grande visibilidade no nosso país." Atualmente, estão entre seus clientes MRV, Bioextratus e Piracanjuba.

Quem também decidiu seguir a própria vocação em vez de entrar no negócio do pai, a rede de materiais para construção CNR, foi a publicitária Roberta Vasconcellos. Quando estava se formando, surgiu a oportunidade de estagiar na área comercial de uma startup. Foi tiro e queda: apaixonou-se pelo ramo da tecnologia. Atualmente, está à frente, ao lado de dois sócios, da BeerOrCoffee, maior plataforma de espaços de coworking no Brasil. A startup, que começou como uma rede para conectar pessoas que estivessem próximas geograficamente e tivessem interesses profissionais compatíveis, foi se desenvolvendo e se transformando até chegar ao atual modelo de negócio. "Pagando uma assinatura, o cliente consegue trabalhar em qualquer um dos coworkings credenciados, em qualquer lugar do Brasil", diz.

Apesar de ser vista como uma área moderna e antenada, a tecnologia ainda é majoritariamente masculina. Há alguns anos, rodou na internet um relatório da Google em que a empresa assumia que ainda precisava trabalhar na diversidade. Na ocasião, em 2014, apenas 30% dos funcionários eram mulheres. Em 2017, o número aumentou para 31%. "A isso damos o nome de teoria das portas de vidro: parece que este é um segmento aberto, mas na verdade não é", afirma Ciranda de Morais, fundadora da She’s Tech, movimento que visa fortalecer a presença das mulheres na tecnologia. "Quando falamos de empreendedores na área de tecnologia, apenas 10% são mulheres."

Ciranda explica que as barreiras são muitas e que começam ainda na infância, quando as mulheres são afastadas de brinquedos considerados "de meninos" e não são estimuladas a desenvolver habilidades nas áreas ciências tecnológicas, engenharia e matemática. "Os brinquedos de menina são vassourinha, fogãozinho, bonecas. Os de menino, blocos montáveis, videogame", diz. Isso persiste na juventude, segundo Ciranda, quando eles são mais incentivados a empreender e sofrem mais pressão para serem bem-sucedidos na carreira do que elas. "Mulheres ainda estão aprendendo com as situações, aprendendo a se posicionar, e os homens ainda estão aprendendo a ouvir. Precisamos chamá-los para estar conosco nesse caminho", afirma Ciranda.

Saber se posicionar foi essencial na trajetória das irmãs Marina e Daniela Medioli, filhas de Vittorio Medioli, presidente do grupo Sada (que atua nas áreas de transporte e logística, indústria e comércio, concessionária, combustível renovável, serviços e imprensa) e atual prefeito de Betim. Desde a entrada de cada uma no negócio - Marina, em 2007, Daniela, em 2011 -, enxergavam pontos que poderiam ser melhorados, em termos de redução de custos e otimização e padronização de processos, e não tiveram medo de propor mudanças que mexeriam profundamente com sua estrutura.

A primeira barreira para implementar algumas delas foi o próprio pai, para quem as propostas pareciam desnecessárias à primeira vista, já que os negócios estavam funcionando - e bem - da mesma forma há muito tempo. Com a chegada da crise, depois de serem bem-sucedidas em projetos de menor porte (por exemplo, na unificação dos 27 planos de saúde de todas as empresas) e com o espaço deixado pelo pai, que se afastou mais efetivamente para assumir o cargo de prefeito, passaram a pensar mais alto em relação a governança, eficiência e unidade do grupo. Na primeira dessas grandes transformações - criar um centro de serviço para compartilhar todas as atividades administrativas transacionais das empresas do grupo -, lideraram sozinhas uma reunião com mais de 20 executivos para explicar a proposta. Fizeram as contas: eles tinham, em média, 24 anos de empresa, e Daniela, a filha mais nova, tinha 25 anos de idade na ocasião. "Fomos conversando, fazendo reuniões, demonstrando a importância das mudanças e, com o tempo, convencemos todos disso", diz Daniela.
 
A diretora do Shopping Cidade, Anna Gaetani, também teve de dobrar o pai antes de assumir o mall. Durante a discussão do processo sucessório dos negócios familiares, ela, que trabalhou por anos como advogada, chegou à conclusão de que gostaria de atuar nesse empreendimento, que acreditava ter mais potencial para crescer e se qualificar. "Eu queria que ele fosse visto como um negócio de varejo, mais do que imobiliário", diz. Ítalo Gaetani, sócio-fundador da construtora Castor, titubeou. "Ele dizia que o Cidade andava sozinho", afirma. Anna ficou de junho a setembro de 2010 desempregada, depois de pedir demissão do escritório onde trabalhava, enquanto tentava convencer o pai. Assim que começou no batente, provou que ter alguém no shopping com uma função estratégica, com autonomia para bater o martelo e rapidez nas decisões, era necessário. Suas medidas, como planejar de maneira mais tática o mix de lojas, fizeram toda a diferença na crise. "Fomos o shopping com menor vacância do Brasil em 2016 e 2017."

Anna faz parte de um grupo importante para o aumento da representatividade feminina nos negócios: o de mulheres herdeiras assumindo empresas fundadas pelo pai. Segundo Teresa Roscoe, especialista da Fundação Dom Cabral em empresas familiares, ainda é mais comum vermos mulheres sucessoras quando é a mãe a dona do negócio, e não o pai. "Mulheres são tão herdeiras quanto homens. A grande questão está em terem ou não oportunidade de assumirem a liderança dos negócios e de se prepararem para tal desde cedo", diz.

Antes de assumir a diretoria comercial e de marketing da rede de hotéis Tauá, Lizete Ribeiro passou por diversas funções na empresa. Atendia telefones no escritório central e batia à porta de possíveis clientes empresariais. Ela não apenas é a única mulher dos três filhos de João Ribeiro, fundador do negócio, mas a mais nova. Tem, contudo, tanta voz ativa quanto o irmão Daniel Ribeiro, que é diretor financeiro e de obras. É ela, aliás, quem tem comandado o projeto de expandir a marca por meio da administração de hotéis já existentes - e não apenas da construção de empreendimentos próprios. "Devemos fechar três novos neste ano com a nossa bandeira, e assim dobrar de tamanho em número de quartos", explica ela.

Essa visão ampliada e capacidade de agir em várias direções são um traço feminino de gestão, segundo Fernanda Schröder Gonçalves, gerente nacional de carreiras do Ibmec. "Isso traz vantagem no momento de tomar decisões e enfrentar uma crise, pois é essencial, nesses momentos, conseguir enxergar de vários ângulos", afirma. De acordo com ela, outras características femininas são: ser mais predisposta à mudança e mais flexível, além de mais inclinada a uma gestão colaborativa. Alice Mello, gerente do programa Smith Women’s Global Leaders, da FDC, ressalta que existem homens com perfil considerado mais feminino de gestão e vice-versa. E que o importante é a diversidade. "Existem pesquisas de grandes consultorias que mostram, em números, que empresas com mais mulheres em posições estratégicas têm resultados melhores. Contam com olhares diferentes quanto a uma mesma questão", afirma.

Foi com uma visão 360 graus, habilidade de escutar e um toque de coragem que as irmãs Ana Carolina e Juliana Martins, presidentes da construtora Eficiência, sobreviveram à crise econômica dos últimos anos, que afetou fortemente empresas do setor de construção civil. Em 2014, elas tinham 23 obras simultâneas e 480 funcionários, mas, como ainda atuavam quase exclusivamente no setor público, decidiram parar as obras que não estavam pagando em dia. "Outros empresários mais experientes comparavam essa crise com outras, achavam que passariam bem por ela e que os governos eventualmente pagariam", diz Ana Carolina. Por não terem essa certeza, ficaram com apenas seis obras e decidiram não focar tanto no setor público. Hoje, esse setor responde por 30% das empreitadas. Assim, o faturamento cresceu 33% de 2016 para 2017.

Em ambiente tão masculino quanto o da construção, a advogada Adriana Valle Bechelany teve de lutar para conquistar o respeito dos sócios na rede de concessionárias Fiat Automax. Ela, que era sócia de um escritório de direito tributário e empresarial, decidiu entrar para o negócio familiar, e a aceitação de suas ideias e propostas não foi imediata. "Como vim da área jurídica, achavam que eu só dominaria bem esse setor", conta. "Tive de trabalhar por isso, inclusive com meu pai." Sua estratégia para ter mais segurança e se impor foi enveredar para o financeiro, com o qual tinha afinidade. Funcionou. Hoje, domina todos os setores do negócio, inclusive peças e pós-venda - dos quais diz que não entendia nada antes de entrar - e a resistência inicial já se dissipou faz tempo. Foi ela quem começou o processo de profissionalização da empresa e é quem está à frente da expansão do negócio. "Estamos pensando em investir na área imobiliária e em novas concessões no setor de veículos automotores."

Também a goiana Mariana Normanha, que comanda o grupo de concessionária de veículos Tecar Minas, que vende veículos Fiat, Volkswagen e Jeep, tem desbravado o mundo masculino dos negócios automotivos. Ela, que se descreve como uma pessoa de perfil enérgico e impositivo, diz que uma das dificuldades do início de sua administração foi o fato de muitos homens não aceitarem seu comando. "Se meu marido, que trabalha comigo, dá um comando mais sério, a pessoa acata e repensa sua atitude. Se eu faço o mesmo e essa pessoa não está preparada para me ter como chefe, é um pandemônio. O cara se ofende", afirma. A tática de Mariana foi criar uma equipe menor, coordenada por ela - "pessoas que me conhecem e aceitam minha postura" -, que repassa os comandos para frente. A mudança de sua postura, diz, foi essencial. "Passei a exigir que os homens me tratassem bem, em vez de apenas esperar isso deles", conta. Dona Branca, que assumiu a fábrica de tijolos da família em meados do século passado, quando mulheres como as descritas nesta reportagem eram ainda mais raras, ficaria orgulhosa desta geração.

Roberta Assumpção, 34, diretora comercial e de inovação da Braúnas
Ronaldo Dolabella/Encontro
(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Não estava nos planos de Roberta assumir a empresa fundada por seu avô. Ela se formou em direito, trabalhou em uma agência de publicidade e, por fim, abriu uma empresa de pesquisa de mercado, que comandou por cinco anos. Nesse meio-tempo, foi se encantando pela área de tecnologia e inovação. "Saber que o mundo vai mudar completamente mexe com seu propósito de vida", diz. "Comecei a pensar que se eu não me movesse iria ficar para trás. Eu precisava me reinventar." Compartilhando a inquietude com seu pai, Mauro Assumpção, ele propôs que ela fosse para a Braúnas aplicar tudo isso por lá. E assim foi feito. Desde que entrou, no início de 2017, já tratou de fazer parcerias com startups, com o Fiemg Lab e o Senai para projetos de inovação em processos internos e em materiais. Em relação a novos clientes, já dobrou o número de depósitos de construção. "Sem querer, eu me apaixonei pela Braúnas."

Roberta Vasconcellos, 29, co-founder da Beer Or CoffeE
Ronaldo Dolabella/Encontro
(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Empreender e trabalhar duro não são novidades para Roberta. Aos 11 anos, já vendia trufas de produção caseira na escola. No intercâmbio do ensino médio, em Vancouver (Canadá), trabalhou na carrocinha de cachorro-quente em frente ao colégio para ganhar uma graninha e treinar o inglês. Deu aulas do idioma quando voltou para o Brasil. A área de tecnologia foi o campo no qual ela se realizou de vez. A startup que comanda atualmente, ao lado de dois sócios, a BeerOrCoffee - plataforma que une coworkings e pessoas -, tem mais de 400 espaços conveniados em mais de 94 cidades e 70 mil usuários e clientes corporativos (entre os quais Basf, Banco Inter e Roche). "O empreendedor é um inconformado que quer dar solução a problemas não só dele, mas de outras pessoas também", diz. Os próximos passos? Consolidar o mercado nacional e trabalhar na expansão para outros países, para que a startup se torne uma plataforma global.

Vanessa Vilela, 40, diretora da Kapeh
Cláudio Cunha/Encontro
(foto: Cláudio Cunha/Encontro)
Vanessa passa longe daquela figura estereotipada da mulher que se preocupa apenas com beleza. Quando pequena, adorava, sim, usar cosméticos. No entanto, desde essa época, sonhava não em ter muitos produtos em casa, para consumo próprio, mas em ser dona de uma marca. Essa autoconfiança tem dado frutos: começou a Kapeh, linha de cosméticos à base de café, com sete itens, em 2007. Atualmente, já possui mais de 130, disponíveis em mais de 200 pontos de venda multimarcas, no e-commerce e lojas exclusivas. Em 2010, foi eleita uma das 10 melhores empreendedoras do mundo no prêmio Empretec Women in Business, da ONU. De olho no potencial de exportação, registrou a marca na Comunidade Europeia ainda em 2009, e as embalagens são bilíngues. "Meus planos para a empresa não são pequenos. Quero levá-la para o Brasil e para o mundo", afirma.

Lizete Ribeiro, 39, diretora comercial e de marketing da rede Tauá
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(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Exigente e apaixonada pelo que faz, Lizete sempre soube que queria trabalhar no negócio da família. "Fui sortuda. Se gostasse de medicina, teria de começar do zero, mas sempre gostei da nossa área", conta. Assim, quando fala do enorme trabalho que é administrar com qualidade uma rede hoteleira, não o faz de forma negativa - aliás, fala com gosto desse esforço. "Como diz um amigo, se você quer alguma coisa fácil, mastigue água", afirma. Sem querer saber de moleza, a família ampliou o negócio, que começou com 24 quartos no Tauá de Caeté, em 1986, para os mais de 1.200 atualmente (entre três resorts e um hotel corporativo). E os planos são de ainda mais trabalho: construção de um resort de 400 quartos próximo a Brasília, ampliação do Tauá de Atibaia e potencialização do negócio de administração hoteleira. "Este deve ser um ano histórico para nós", afirma.

Flávia Fulgêncio, 48, diretora acadêmica do grupo Green
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(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
"Quem não está subindo está descendo." Essa frase de Ana Maria Fulgêncio, mãe de Flávia e fundadora do grupo Green, representa a postura da família frente aos negócios: é sempre preciso melhorar, crescer, se mexer - ficar parado é o mesmo que cair. E ela aprendeu a lição direitinho. Quando assumiu a diretoria acadêmica do grupo, não apenas passou a gerir as oito escolas, como tem ampliado o braço de intercâmbio, criou o serviço de assessoria pedagógica em escolas de educação básica e enxergou, há alguns anos, a oportunidade de empreender no ramo de escolas bilíngues. Abriu em 2016 a EBI (Escolas Bilíngues Internacionais), que implanta o programa de ensino bilíngue em colégios tradicionais. No ano passado, 320 alunos recebiam o programa. Neste ano, já são 1.650 alunos matriculados, todos aprendendo conteúdos escolares complementares à grade curricular nacional, em inglês, desde pequeninos. "É outra visão do aprendizado de língua. É o inglês como ferramenta para que a criança adquira novos conhecimentos." Menos parada, impossível.

Miriam Penna Diniz, 36, diretora de novos negócios da Emap Solar
Ronaldo Dolabella/Encontro
(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Miriam largou um mestrado na área de ciências biológicas, na Espanha, para assumir a empresa familiar, Emap Montagens, após a morte do pai. O que não sabia é que voltaria a se encontrar com o tema sustentabilidade em seu trajeto como empresária. Quando deparou com a energia solar como oportunidade de negócio, os valores que a haviam levado para a biologia entraram em cena. "Eu pude colocar o meu DNA nesse empreendimento e fazer acontecer como eu acreditava, unindo minha experiência prática em engenharia com meu idealismo de um mundo melhor", diz. Desde 2015, quando a empresa se tornou independente do negócio de montagens, a Emap Solar tem crescido mais de 130% ao ano - e ampliando a energia renovável do país.

Ana Carolina Martins, 40, e Juliana Martins, 41, CEOs da Eficiência Construtora
Ronaldo Dolabella/Encontro
(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Empreender nunca foi problema para Ana Carolina (na foto, à esq.). Aos 13 anos, ela já tinha um mercadinho que vendia de tudo na vila da Usina Ana Florência, em Ponte Nova (MG), que era da família. A lojinha não era nada amadora: tinha até controle de estoque e parceria com as sacoleiras que vinham a BH fazer compras. Vários empreendimentos depois - desde venda de "chup-chup" na praia até promoção das famosas festas Bananinha, que chegaram a ter mais de 6 mil convidados -, ela resolveu se unir à irmã, a engenheira Juliana, e fundar uma construtora. E não pense que, por ser de duas mulheres, a empresa faz apenas obras "delicadas": elas já fizeram até manutenção de penitenciária. Atualmente, além de casas de luxo em condomínios, estão com projetos de um loteamento, casas populares, uma escola e batalhões de polícia. "Percebemos surpresa das pessoas quando descobrem que somos duas mulheres à frente do negócio, mas às vezes isso pode ser até positivo, por verem que somos muito competentes e estamos batalhando nesse mercado extremamente masculino", diz Ana.

Anna Gaetani, 35, diretora do Shopping Cidade
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(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Um dia, passando por um espaço estratégico no shopping que dirige, Anna virou para a superintendente do mall e disse: "Neste lugar aqui, vamos ter uma Sephora ou uma Starbucks". Não era sonho, era plano. Em 2016, foi inaugurada a pop up store da prestigiada e maior rede de produtos de beleza do mundo - a primeira e única em BH até agora. "Para inspirar as pessoas, temos de acreditar no que falamos", afirma. Anna tem desafios grandes à frente, como repensar o shopping no contexto de vendas on-line e off-line. "Estamos em um momento de transição entre pessoas com níveis de inserção digital muito diferentes. São necessidades e hábitos muito diversos, que precisamos entender e atender", afirma. Pela taxa de 100% de ocupação das operações e público de 80 mil pessoas por dia de segunda a sexta, pode-se dizer que ela está acertando.

Mariana Normanha, 33, diretora da Tecar Minas

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(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Mariana já trabalhava com o pai, José Maurício Normanha, em Goiânia, quando veio a BH com ele para uma visita regular à loja da cidade - a segunda do grupo, fundada em 1997. O gerente regional da Fiat pediu para conversar com José Maurício, para saber quais eram seus planos para a loja no intuito de aumentar as vendas. Ele não tinha um plano naquela hora, mas formulou imediatamente: disse que sua filha assumiria o empreendimento, pois precisava de alguém de confiança e que pudesse ter autonomia. Mariana, que já pretendia sair das asas do pai e estar à frente de algo por conta própria, topou. "A empresa também estava precisando soltar as amarras. Quando vim para cá, começamos a fazer os investimentos que eram necessários e a coisa foi andando." Funcionou. Nestes 10 anos, uma loja se tornou cinco e uma marca representada se tornou três.

Marina Medioli, 29, vice-presidente da Sempre Editora e Daniela Medioli, 28, diretora executiva do grupo Sada
Ronaldo Dolabella/Encontro
(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Em empresas familiares, a segunda geração é quem costuma profissionalizar o negócio. As jovens herdeiras do grupo Sada - que fatura mais de 3 bilhões de reais por ano e domina 40% do marketshare da atividade principal do grupo, que é o transporte de veículos no país - estão fazendo exatamente isso. Depois de reunir atividades administrativas padronizáveis em um Centro de Serviços Centralizado (CSC), perceberam que a administração da empresa era mais operacional do que estratégica. "Quase todo mundo foi para o CSC, e a área pensante esvaziou muito", conta Daniela (na foto, à dir.). Assim, criaram áreas corporativas, trouxeram executivos de mercado, trabalharam na criação de uma cultura de pertencimento de todas as empresas ao mesmo grupo econômico e passaram a atuar com planejamento orçamentário e análise de investimentos, entre outras mudanças. Se foi uma quebra de paradigma? "O modo de fazer é diferente, mas a base - pensar com responsabilidade no negócio, sempre considerar que ele tem utilidade social, e os demais valores que nosso pai nos passou - continua igual", diz Marina.

Adriana Valle Bechelany, 43 anos, vice-presidente executiva da Automax
Ronaldo Dolabella/Encontro
(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
A maternidade fez Adriana mudar os rumos de sua carreira. Sócia de um escritório de advocacia especializado em direito tributário e empresarial, ela mal parava em BH. Precisava viajar tanto para visitar as filiais do escritório em outras capitais quanto clientes no interior de Minas. Quando teve seu primogênito, João Paulo, em 2008, ela diminuiu as viagens para não passar mais do que uma noite fora de casa por semana. Dois anos depois, com o nascimento de Maria Eduarda, chegou à conclusão de que o esquema não iria funcionar mais. Assim, decidiu entrar para o negócio da família. O pai, José Eduardo Lanna Valle, nunca tinha exigido que ela se envolvesse na empresa, mas ficou feliz com a proposta, especialmente porque ainda não tinha sucessor. Em 2011, ela entrou na Automax, tradicional concessionária Fiat de BH, e hoje é vice-presidente executiva. Trabalha muito - tanto quanto na época de advogada. Mas pode revezar com o marido o leva-e-traz para a escola, como gosta de fazer, e tem a noite livre para curtir com a família. "Consegui unir o útil, que foi possibilitar a sucessão na empresa, ao muito útil, não ficar longe dos pequenos", afirma.

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