
Antes de se tornar um supercampeão na categoria máster, Marcus Mattioli ficou longe das piscinas por longos 16 anos. "Quando parei de nadar, no fim da década de 1980, criei uma resistência à água. Eu me afastei completamente." Foi um alerta da saúde que levou o campeão de volta aos treinos, em 2004. "Havia ganho muito peso, 35 quilos, e tive medo de ter algum problema com o coração." Seu irmão Rodrigo, ex-campeão mundial de natação, morreu aos 53 anos, em 2008, vítima de um infarto fulminante. Marcus lembra que voltou a nadar, a princípio, de leve, acompanhando a equipe mirim do Minas. Não demorou para estar novamente disputando campeonatos e colecionando pódios. Após entrar na equipe de másters do Minas Tênis Clube, acumulou 20 recordes mundiais, 29 medalhas de ouro e três de prata. E tem mais. Durante os últimos 15 anos ele lidera o chamado Top Ten da Fina (Federação Internacional de Natação), que registra os melhores tempos do mundo nas diferentes categorias do esporte.

Marcus treinou nos Estados Unidos, na Universidade de Indiana, com James Counsilman, considerado referência na biomecânica. "Tive ótimos técnicos e meu pai também sempre me corrigia observando a biomecânica, o que causou admiração quando cheguei aos Estados Unidos." Essa busca pela técnica perfeita nasceu de uma crença de Vicente Mattioli. "Ele tinha muita confiança nos filhos", lembra Marcus. "Se não atingíamos um determinado resultado, ele nunca pensava que estávamos aquém, mas que os outros estavam fazendo alguma coisa diferente da gente, e era isso que tínhamos de corrigir."
Ao olhar para sua carreira, Marcus diz que o melhor que a natação lhe trouxe foram os amigos. "As medalhas muitas vezes ficam esquecidas no armário, mas os amigos estão sempre ao nosso lado." Ele também se lembra de uma lição que trouxe dos Estados Unidos. "Quando pedimos algo para um brasileiro, ele costuma dizer: 'vou ver o que dá para fazer'". A situação muda quando o pedido é para um americano. "Eles sempre falam ‘I’ll do my best’ (farei o meu melhor, em português)." E este é o recado que ele da aos novos atletas. "Façam sempre o seu melhor." Tão bom quanto ser um campeão, independentemente do pódio, é ter a sensação do dever cumprido. E essa sensação Marcus tem de sobra.