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Estado de Minas CIDADE

Cinco estabelecimentos antigos de Belo Horizonte

Alguns são centenários, como a Casa Salles, no centro, e o Bar do Orlando, em Santa Tereza


postado em 17/12/2019 16:06 / atualizado em 17/12/2019 17:08

(foto: Alexandre Rezende/Encontro)
(foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Eles resistem ao tempo e continuam reinando na cena da capital mineira, que acaba de completar 122 anos. Visitar esses estabelecimentos é como voltar ao passado.

Casa Salles (1904)

(foto: Alexandre Rezende/Encontro)
(foto: Alexandre Rezende/Encontro)
"Quero vender queijo e goiabada aqui." Vindo de Guilherme Salles, de 36 anos, um dos proprietários da Casa Salles, essa intenção pode soar estranha. O imaginário em torno da loja, localizada na rua Caetés, no Centro, está ligado ao comércio de munição e armas de fogo. Entretanto, nem sempre foi assim. A primeira loja a ser inaugurada em BH, por João de Salles Pereira, foi, na verdade, fundada ainda em Ouro Preto, nos idos de 1881. Naquela época, vendia-se de tudo, os chamados "secos e molhados". E foi com esse objetivo que o comércio veio para a então recém-criada Belo Horizonte. Por volta da década de 1940, com os artigos em metal fervilhando na cidade, por causa da II Guerra Mundial, a Casa Salles passou a colocar na vitrine armas, munições e produtos de cutelaria. "Sempre acompanhamos a demanda do mercado", diz Guilherme. Agora, ele quer transformar a loja em ponto turístico da cidade e, por que não, voltar a comercializar outros produtos. "Queremos fazer parte do cenário cultural e turístico de BH."

Bar do Orlando (1919)

(foto: Alexandre Rezende/Encontro)
(foto: Alexandre Rezende/Encontro)
A esquina da rua Alvinópolis com Conselheiro Rocha, no boêmio Santa Tereza, é ocupada há 100 anos por um bar. Isso faz do estabelecimento de Orlando Silva Siqueira, o "Bar do Orlando", o mais antigo Belo Horizonte. Em 1919, contudo, o lugar era conhecido como Bar dos Pescadores e quem ficava atrás do balcão era José Inácio de Rezende. Em 1970, ele vendeu o negócio para Pedro Boaventura, tio de Orlando, que assumiria o estabelecimento 10 anos depois. Hoje, o lugar é ponto de encontro de clientes cativos, sempre em busca de cerveja estupidamente gelada e tira-gostos, como o tradicional "Trio da Roça", que vem com linguiça, batata e torresmo de barriga.

Casa Cabana (1952)

(foto: Alexandre Rezende/Encontro)
(foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Hoje, a tradicional loja funciona na avenida Olegário Maciel, ao lado do Mercado Novo, mas foi na avenida Amazonas, com rua Santa Catarina, que a chapelaria fincou bandeira por aqui. Elias Ishac Joukhadar, falecido em 2012, fundou a loja com o nome de Casa Cubana. Por causa da revolução no país caribenho, o estabelecimento foi rebatizado em 1960 com o nome atual. Além dos tradicionais chapéus (são mais de 300 modelos), a loja comercializa calças, camisas, cintos e botas, a chamada moda country. "Aqui, as pessoas já saem prontas para as festas de rodeio", diz Soraya Elias, que ao lado do irmão Daniel toca o negócio herdado do pai. O estabelecimento é o preferido de muitos políticos e celebridades, como o cantor sertanejo Gusttavo Lima.

Livraria Amadeu (1948)

(foto: Violeta Andrada/Encontro)
(foto: Violeta Andrada/Encontro)
Lourenço Carrato Cocco, de 61 anos, tem sempre na ponta da língua a localização dos livros. "Muitos foram catalogados, mas outros estão apenas na nossa memória", diz Lourenço, que ao lado do irmão Amadeu resiste com a livraria mais antiga em funcionamento na capital mineira. O sebo, hoje na rua Tamoios, 748, no Centro, foi idealizado pelo pai, Amadeu Rossi Cocco, que morreu em 2009. Apesar do avanço tecnológico, a loja continua atraindo clientes à procura de exemplares raros ou apenas curiosos por estarem em um ambiente onde os livros - e nada mais - são os protagonistas. "Os jovens nos comparam com a biblioteca do Harry Potter", diz Lourenço, que revela o segredo do sucesso: "Nosso diferencial são as obras já esgotadas que ninguém tem". Ou melhor, quase ninguém.

Lalka (1925)

(foto: Geraldo Goulart/Encontro)
(foto: Geraldo Goulart/Encontro)
O polonês Henryk Grochowski, refugiado da guerra, chegou em terras brasileiras em 1908. Fundou a Lalka, no entanto, em 1925, no bairro Floresta, depois de morar e trabalhar em Petrópolis (RJ), onde aprendeu a fabricar balas e caramelos. A partir da primeira loja, outras unidades foram abertas e a marca virou referência em doces. Para se ter uma ideia, a Lalka chegou a ter exclusividade na venda de balas nos tradicionais cinemas de rua de Belo Horizonte. Atualmente, a marca conta com quatro unidades, entre elas a primeira loja, na Floresta, onde está também a fábrica. Em 2020, e pela primeira vez, as balas Lalka serão exportadas para os Estados Unidos. "Sabemos do nosso espaço e temos pé no chão", diz Roberto Marques, de 62 anos neto do fundador, ao explicar o motivo de tanto tempo em operação.

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