
Segundo pesquisa da Loft, plataforma digital de compra e venda de imóveis que aterrissou em BH este semestre, 43% dos entrevistados viam como principal dúvida na jornada de compra "não saber se encontrariam um imóvel como gostariam" - em comparação, na mesma pesquisa realizada em São Paulo e no Rio de Janeiro esse índice foi de 34% e 35%, respectivamente. E o que é o lar dos sonhos no caso do belo-horizontino? Não há uma resposta única, já que as demandas variam e dependem de diversos fatores, como tamanho da família, do bolso e estilo de vida. Alguns quesitos, contudo, parecem bastante comuns, sendo um deles o espaço. A pesquisa identificou que apenas 21% dos entrevistados estavam à procura de um imóvel com até 90 metros quadrados (contra 66% dos paulistanos e 64% dos cariocas). Isso, considerando que, segundo o censo 2010, 72% dos belo-horizontinos residem em imóveis de até 2 dormitórios - bem menos do que em São Paulo e no Rio, onde a proporção é de 82% e 85% respectivamente.

A pandemia teve papel importante nesse ponto do tamanho, também. Segundo José Augusto Castanheira, diretor comercial da Altti, havia em BH, como em outros locais, há alguns anos, uma tendência de busca por espaços menores. "Com a pandemia, essa procura se alterou, e a questão do espaço passou a ser preponderante", afirma. Ele conta que em um empreendimento que a construtora havia acabado de lançar quando começou a pandemia, a primeira unidade vendida foi a cobertura, o que não costuma ser o caso, já que são opções mais caras. "A justificativa do cliente, que já morava em um bom apartamento na mesma região, foi que precisava de um espaço para tomar sol." Também o CEO da Construtora da Caparaó, Alexandre Lodi, vê mudança de hábitos, motivações e buscas com a pandemia. "Os belo-horizontinos têm ido atrás de apartamentos mais confortáveis, com espaços que proporcionem mais qualidade de vida, por isso, a principal busca por imóveis no último ano foi, em geral, para upgrade", afirma. O que ainda não se sabe é se a tendência deve permanecer no pós-pandemia.

Com as facilidades da internet e redes sociais, as pessoas têm ficado bastante ligadas nas novidades do mercado, de acordo com os especialistas. O processo de buscar e conhecer imóveis ficou mais fácil e é possível visitar quantos lugares se quiser sem nem sair de casa. Por isso, "dar uma olhadinha" de vez em quando e, quem sabe, encontrar um espaço interessante, tem sido mais comum. De acordo com a pesquisa da Loft - que entrevistou 208 pessoas das classes A, B e C de Belo Horizonte e região metropolitana que compraram e/ou venderam um imóvel residencial nos últimos 3 anos ou pretendem comprar e/ou vender nos próximos 18 meses -, o tempo gasto pelo belo-horizontino entre a decisão de ativamente buscar um novo lar e a compra é de 7,7 meses, média bem parecida com as do Rio e de São Paulo. "O mineiro é exigente e isso se reflete quando vai escolher um lugar para morar. Detalhista, ele pesquisa e compara muito antes de tomar uma decisão por um imóvel", diz Viviane, da MRV.

Veja algumas conclusões da pesquisa:
Motivações para compra
- Sair do aluguel - 20%
- Mudar para espaço maior - 17%
- Morar junto com parceiro - 15%
- Sair da casa dos pais - 10%
- Localização melhor / perto do trabalho - 7%
Imóvel comprado ou desejado
- Apartamento - 55%
- Casa em bairro aberto - 42%
- Casa em condomínio - 27%
- Terreno/lote - 21%
Características mais desejadas na região do imóvel
- Mercado/padaria/comércio nos arredores - 56%
- Bairro tranquilo - 54%
- Segurança - 50%
- (Em último, perto de trem e metrô - 12%)
Outros aspectos da busca
- Tempo médio de busca - 7,7 meses
- Número médio de imóveis visitados - 6,6
- 21% dos belo-horizontinos buscam imóvel com até 90m2 (contra 66% dos paulistanos e 64% dos cariocas)
- Principal motivo de venda é troca por um imóvel maior (30%), seguido de maior qualidade de vida para a família (26%) e melhor localização (23%)