
A alegria durou pouco, no entanto. Três dias depois, o Canastra ocupava o oitavo lugar. Tudo porque esse ranking é dinâmico e muda o tempo todo. A lista é montada a partir de votação popular e não há nenhum júri técnico para estabelecer as características individuais de cada produto. Ou seja, qualquer um, em qualquer lugar do mundo, pode votar na plataforma.
Essa eleição virtual acabou abrindo uma discussão sobre o valor real de uma honraria. O jornalista especialista Eduardo Girão escreveu em suas redes sociais: "Claro que a divulgação internacional é bem-vinda e que ficamos felizes por ver nossa bandeirinha em primeiro lugar, mas estamos falando de um (maravilhoso) queijo que mal consegue sair legalmente do estado em meio a gigantes europeus com aparato de produção, divulgação e distribuição global".
Mesmo após o queijo minas artesanal ter seu modo de produção reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial brasileiro desde 2008, ainda existem muitos embargos burocráticos que atrapalham sua comercialização fora do território mineiro. Das dez regiões produtoras (ver box), a Canastra é a mais conhecida. Para ser autêntico e ter indicação de procedência, o queijo precisa ser produzido em um dos sete municípios que circundam a serra: São Roque de Minas, Medeiros, Vargem Bonita, Tapiraí, Delfinópolis, Bambupi e Piumhi. É quase uma centena de produtores, a maioria familiar. O tipo de pastagem, gado, relevo, clima e pureza da água garantem o terroir, que nada mais é que características comuns que fazem aquele produto ser único.
Saindo do universo de listas, prêmios e medalhas, o queijo da Canastra é campeão entre os mineiros há tempos. Todo mundo por aqui sabe que ele vale ouro. Incluindo aí, os chefs e cozinheiros. Fizemos uma incursão pelos cardápios de seis restaurantes e descobrimos quais pratos levam essa iguaria - considerada, mesmo que por pouco tempo, o melhor queijo do mundo.
Croissant Canastra, campeão de vendas da Du Pain

Fondue mineiro do Fubá

Bolo de Canastra com doce de leite da Doce que Seja Doce

Sorvete de pão de queijo d’A Pão de Queijaria

Os risotos do La Palma

Menu completo do AA Wine Experience

Os queijos de Minas
Atualmente, existem 10 regiões produtoras de Queijo Minas Artesanal (QMA) reconhecidas pelo estado. A última a ser inserida nessa lista oficial foi a Entre Serras da Piedade ao Caraça, que contempla os municípios de Catas Altas, Barão de Cocais, Santa Bárbara, Rio Piracicaba, Bom Jesus do Amparo e Caeté. As outras nove regiões são: Araxá, Campos das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Serra do Salitre, Serro, Triângulo Mineiro e Serras da Ibitipoca. As principais características que definem o Queijo Minas Artesanal são a utilização de leite cru, o pingo (fermento natural) e o processo de maturação. Segundo um levantamento da Emater-MG, no estado há pouco mais de 7 mil estabelecimentos destinados à produção de diversos tipos de queijos artesanais com uma produção de quase 22 mil toneladas por ano. "Considero Canastra como uma porta de entrada para o universo dos queijos mineiros. Sabemos que há outras regiões produtoras tão importantes quanto, mas o Canastra é o grande embaixador. Por meio dele as pessoas se interessam a conhecer o que fazemos de bom em Minas", diz o chef e professor de gastronomia Sinval Espírito Santo.