Estado de Minas COMPORTAMENTO

Carnaval sem perrengue: dicas para curtir a folia com segurança

De hidratação a planejamento e cuidado com pertences, foliões compartilham estratégias e histórias para aproveitar o Carnaval de BH com conforto e tranquilidade


postado em 06/02/2026 06:44 / atualizado em 06/02/2026 07:10

Carnaval bom é aquele que rende história: do top arrebentado a um nariz quebrado, foliões narram casos que já passaram na folia e dão as melhores dicas para evitar ciladas e também para apreciar cortesias inesperadas (foto: Pedro Vilela/Agência I7)
Carnaval bom é aquele que rende história: do top arrebentado a um nariz quebrado, foliões narram casos que já passaram na folia e dão as melhores dicas para evitar ciladas e também para apreciar cortesias inesperadas (foto: Pedro Vilela/Agência I7)
Até tudo se acabar na quarta-feira, muita água vai rolar. E muita história vai restar pra contar. Além de encontros, amores e emoções que vão ficar pra sempre na memória do folião, muito perrengue também vai virar anedota. Pois, Carnaval de rua é sinônimo de diversão, mas pode virar uma roubada e ser uma prova de resistência se não for minimamente estratégico ou se não forem tomados alguns cuidados. 

Para curtir sem sofrer, o mantra é simples: conforto é luxo essencial.
Tênis velho, pochete colada ao corpo ou doleira por baixo da roupa, protetor solar antes do glitter, combinar pontos de encontro com os amigos e uma garrafinha de água sempre por perto fazem milagres. 
Chegar cedo para pegar o bloco antes da muvuca, saber onde fica o banheiro mais próximo — essa informação vale ouro — e nunca subestimar o poder de um lanchinho no bolso são escolhas sábias.  Assim, você samba, pula, canta e ri até o último batuque, evitando os clássicos perrengues Carnavalescos e garantindo que a única ressaca seja de alegria.
 
Carol Guigui, de 44 anos, contadora com MBA em controladoria e finanças, é amante da folia, que tem tudo a ver com sua personalidade festeira e animada. Para levar tudo numa boa e garantir a diversão, Carol se prepara do figurino à alimentação. “Sou baixinha e sempre usei salto alto, mas no Carnaval o tênis é obrigatório para aguentar horas de folia com disposição. Roupas leves, gosto de caprichar, mas que tenha a ver comigo e seja confortável”, afirma.
 
“Também costumo me alimentar bem antes de sair de casa e fazer um lanche antes de voltar. É importante repor as calorias perdidas. A hidratação é essencial. Procuro intercalar cerveja com água, o que me ajuda a manter a disposição para aproveitar o dia seguinte. Dou preferência aos carros de aplicativo e o celular fica sempre na cordinha e, quando possível, por dentro da roupa”, alerta.
 
Apesar de não ser muito fã da muvuca dos blocos de rua, adora o Bloco da Insanidade, que tem um público de todas as idades e energia especial. “Prefiro os eventos privados, onde tenho mais conforto. Sou micareteira, desde a época do Carnabelô. Hoje, recomendo o Carnaval dos Sonhos, da Trio Produtora. Um evento impecável, da escolha dos artistas à decoração, passando pela comida, bebida e até aquela sensação gostosa de customizar o abadá. Não posso deixar de mencionar o La Baderna, acho que fui a todas as edições, o Baile do Distrital”. 
 
Para Carol, depois de inúmeros carnavais, é impossível escolher a melhor edição da folia em BH. “Foram muitos anos incríveis, cheios de folia e alegria, vividos em diferentes fases da vida — solteira, namorando, casada, com filho, com amigos. Nunca deixei de me divertir. Mesmo depois de mais de 30 anos de gandaia, nunca perdi a ansiedade pré-evento. Sempre parece o primeiro”.
 
Celebração indígena 
 
O Carnaval é a época favorita do ano para Ana Paula Miguel, jornalista. Para ela, a festa significa energia, alegria e, principalmente, encontro. “Gosto da forma como os blocos conseguem reunir pessoas com histórias de vida, visões políticas, cores e classes sociais distintas, todas dividindo o mesmo espaço com leveza. É um tempo em que as diferenças ficam menores e a convivência se torna mais generosa. Vejo o Carnaval como um período de paz festiva, pulsante, cheia de música e liberdade. É bonito de viver e observar”.
 
Ana Paula é do tipo que se joga na folia, muito glitter, fantasia, brilho e disposição. “Começo o dia nos blocos de rua, acompanhando o movimento da cidade desde cedo, e sigo até à noite, nas festas privadas. Digo sempre que o melhor Carnaval de BH é o próximo. A estrutura melhora, os blocos se fortalecem e os foliões se entregam cada vez mais nas fantasias criativas e na ocupação das ruas. É um movimento vivo. E o melhor ponto para curtir é onde estão os amigos e o bloco ou a banda do coração”. O Funducinho do Meu Rei, o Então, Brilha! e o Bloco da Insanidade estão entre os preferidos. Para 2026, ela está curiosa para curtir o Trem dos 11, as voltas do Galera de Belo e do E Saudade.
 
Ao montar seu visual, Ana Paula avisa que glitter é regra. “Eu viro o meme do glitter no corpo todo. Escolho looks que tenham a ver comigo e com o clima do dia”. Ela sempre está vestida com acessórios indígenas e explica a razão: “Sou descendente e, além de valorizar meus traços, é uma forma bonita de homenagear minha ancestralidade, um povo que celebra a vida por meio da música, da dança e da festa. Meu primeiro cocar comprei em Olinda, há mais de 10 anos, e de lá para cá fui construindo uma coleção, sempre com peças compradas diretamente de indígenas. Os penachos coloridos combinam com o brilho, com o glitter e com a alegria que o Carnaval carrega”.
 
Nariz quebrado na micareta
 
Carol Guigui, contadora especializada em controladoria e finanças (foto: Arquivo Pessoal )
Carol Guigui, contadora especializada em controladoria e finanças (foto: Arquivo Pessoal )
“A minha vida de foliona começou cedo, quando eu ainda era criança, nas matinês do Minas Tênis Clube. Já vivi muita história linda, mas também tenho perrengue na lista. O mais hilário foi trombar com um homem em uma micareta e quebrar o nariz. Eu estava tão empolgada (e um tanto quanto tontinha, confesso) que só fui descobrir o estrago no dia seguinte. Me arrependo? De jeito nenhum. O importante é a diversão e ter história para contar. Mas recomendo que tenham cuidado com os excessos. Cuidem-se e se divirtam”. 
 
#ficaadica: 
  • Tênis é obrigatório para garantir o conforto
  • Use roupas leves
  • Alimente-se bem antes de sair de casa e evite comer na rua
  • Hidrate-se.
  • Intercale cerveja com água
  • Dê preferência aos carros de aplicativo
  • Celular sempre na cordinha e, quando possível, por dentro da roupa
Senhorzinho do banheiro
 
Os influencers do Casal Mil, a administradora, social media e criadora de conteúdo Luiza do Nascimento, de 31 anos, e Mateus Baranowski, de 41, relações públicas, fotógrafo e videomaker, respondem em coro: “amam o Carnaval”, para eles uma festa “de resistência, de luta, de cor e democrático”. Por dentro de tudo, revelam que os melhores pontos para curtir a folia em BH são o Centro e as regiões próximas, como Barro Preto e Lagoinha, e a Zona Leste, principalmente Floresta, Santa Tereza, Concórdia e Santa Efigênia. E avisam: “Carnaval em BH tem que estar preparado para andar. E com tênis surrado”.
 
Luiza e Mateus compartilham um checklist que sempre fazem, itens essenciais que garantem a diversão: snacks, barrinha ou paçoquinha, protetor solar, garrafinha térmica com cordinha, desinstalar app de banco, leva dinheiro físico e só um cartão que exija o uso de senha e andar sempre em duplas ou grupos. 
 
Com café e com afeto
 
Casal de influencers Mateus e Lu no Carnaval de rua de BH: em 2026 eles vão maratonar em diversas baterias de blocos (foto: André de Paiva/Divulgação )
Casal de influencers Mateus e Lu no Carnaval de rua de BH: em 2026 eles vão maratonar em diversas baterias de blocos (foto: André de Paiva/Divulgação )
“Estávamos em um bloco no bairro Concórdia e precisei ir ao banheiro. Não havia estabelecimentos ou banheiros químicos por perto. Avistei um senhorzinho sentado na porta de casa vendo o bloco passar e perguntei, educadamente, se poderia usar o seu banheiro e ele prontamente abriu as portas da casa para mim. Fiquei admirado. Utilizei o banheiro e, na saída, ele ainda me ofereceu um café. Achei incrível. Algo que acredito que só aconteça aqui em Minas Gerais. Ah, aceitei o café de muito bom grado, pois sabemos que é falta de educação recusar comida na casa dos outros”. 
 
#ficaadica:  
  • Leve snacks, barrinha ou paçoquinha
  • Protetor solar
  • Garrafinha térmica com cordinha
  • Desinstale apps de banco
  • Leve dinheiro físico e só um cartão que exija o uso de senha
  • Ande sempre em duplas ou grupos
 
ROUBADAS SECRETAS
 
Cada folião tem seu estilo e fases ao longo dos carnavais. A empresária Bele Machado, de 42 anos, dona da Belenia Marketing Esportivo e da página Garota Te Conto Tudo, frequenta bailinhos de Carnaval desde a infância, levada pela mãe, o que a faz carregar um lado afetivo com a folia. Hoje, ela confessa, é uma “foliã light”, seleciona os blocos mais tranquilos, de bairro, além de festas à noite, sempre em paz, cercada pela família ou amigos. “Já tive uma fase intensa. Começava a planejar o Carnaval com um mês de antecedência, pensava em looks para cada dia, mandava fazer fantasias e montava o roteiro completo dos blocos. Vivi tudo isso e foi incrível”. 
 
Seja aquela que se acaba na folia ou a que quer curtir numa boa, Bele avisa que tem cuidados que são indispensáveis: “Buchinha de cabelo é essencial; bolsa com alça transversal; sei que muita gente não gosta, mas a pochete é ótima; desabilite a aproximação do cartão de crédito por segurança; hidrate-se o tempo todo, beba água; protetor solar antes de sair de casa e no corpo todo porque, vamos combinar, na folia a gente sempre esquece de reaplicar; e prefira levar ou comprar alimentos feitos na hora ou snacks em embalagens fechadas, como biscoitos”. E para se jogar, Bele alerta que planejamento é tudo. “Saiba a rota do bloco antes de sair de casa, identifique os pontos de apoio como transporte e banheiros; nada de ficar horas andando na rua tentando achar Uber ou táxi. Dê preferência ao táxi e combine o valor antes de embarcar para evitar dor de cabeça”.
 
Desta forma, Bele segue curtindo e se encantando com o Carnaval de BH, principalmente pela criatividade. “Tudo é autoral e espontâneo”. E indica folias clássicas que nunca decepcionam: “Carnaval do Mirante pode ir sem medo. O bloco ‘Quem eu Quero Não Me Quer’, no Buritis, e o Baile do Distrital, são boas escolhas”. Quanto às roubadas vividas por ela, garante que foram várias, mas preserva o segredo. “Elas envolvem muitos nomes, então melhor não contar”. O que acontece no Carnaval, fica no Carnaval. 
 
Improviso é habilidade 
 
Ana Paula Miguel, jornalista:
Ana Paula Miguel, jornalista: "nunca perdi a ansiedade pré-evento. Sempre parece o primeiro" (foto: Arquivo Pessoal )
“Nossa, passei por alguns sufocos já. Alguns dos mais apertados foram com fantasias. Uma vez, usei uma daquelas máscaras estilo Carnaval de Veneza, comprada em shopping popular, linda… até começar a soltar tinta. Resultado: fiquei com o rosto inteiro rosa, e a tinta simplesmente não saía por nada. Não sabia se ria ou se chorava. Acabei fazendo os dois. Outro clássico são os tops de corrente e miçanga, que sempre parecem resistentes, mas inevitavelmente arrebentam no meio da folia. A dica é simples e salvadora: nunca saia sem um plano B. Tenha sempre um biquíni ou um top básico na pochete. No Carnaval, improviso é habilidade essencial.”
 
#ficaadica: 
  • Leve  um kit sobrevivência com um saquinho com lenços umedecidos — que salvam na hora de usar o banheiro —, barrinhas de proteína e chiclete
  • Apague os aplicativos de banco do celular e deixe apenas um, com limite reduzido
  • Nunca se separe do grupo. Se precisar ir ao banheiro, vou sempre acompanhada. 
  • Carnaval é coletivo, cuidar uns dos outros faz parte da festa.
#ficaadica: 
 
Bele Machado, empresária: no Carnaval, planejamento é tudo(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Bele Machado, empresária: no Carnaval, planejamento é tudo (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
 
  • Buchinha de cabelo é essencial
  • Bolsa com alça transversal (muita gente não gosta, mas a pochete é ótima)
  • Desabilite a aproximação do cartão de crédito por segurança
  • Hidrate-se o tempo todo, beba água
  • Protetor solar antes de sair de casa e no corpo todo
  • Levar ou comprar alimentos feitos na hora ou snacks 
  • Saiba a rota do bloco antes de sair de casa
  • Identifique os pontos de apoio como transporte e banheiros
  • Dê preferência ao táxi e combine o valor antes de embarcar para evitar dor de cabeça
Manual Prático de como Curtir a Folia

1 - Use protetor solar, mesmo se tiver chovendo, quando a dica é levar uma capa descartável.
2 - Hidratação sempre! Tome bastante água.
3 - Leve comidinhas, lanches rápidos e práticos para manter a energia lá no alto. 
4 - Não leve copos e garrafas de vidro
5 - Nada de beber e dirigir: use transporte público ou aplicativo
6 - Mantenha o ambiente limpo, evite jogar lixo e urinar na rua
7 - Atenção com objetos pessoais, celulares, bolsas, documentos. Use doleiras e pochetes
8 - Saiba se divertir, respeite o espaço de cada folião, nada de empurrar ou derramar bebida no outro e cuidado para não pisar em outro folião.
9 - Não é não: nunca se esqueça. Sem assédio. 
10 - Ande em grupos, perto dos amigos.
11 - Escolha o calçado mais confortável possível, que não seja novo e proteja seus pés. Tênis usado é o ideal.
12 - Cuidado com os locais e/ou ambulantes que escolher consumir comida e bebida
13 - Para quem bebe, seja moderado, invista no esquenta para economizar e toda atenção ao copo, lata ou garrafa para prevenir que coloquem algo em sua bebida. 
14 - Não aceite bebida de estranhos!
15 - Nunca, jamais, se esqueça da camisinha. 

 

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