
Os laços de família entre Olívia e Alice começaram há alguns anos, quando a antiga tutora da bichinha, uma senhora apaixonada por animais, faleceu. “Como bióloga, eu trabalhei com ela por mais de dez anos. Essa senhora se tornou uma grande amiga, era madrinha dos meus filhos e, infelizmente, morreu poucas semanas após Olívia chegar. Eu fiquei com alguns dos seus animais. Olivia ainda era uma bebê”.
Casada com Andreia e mãe de dois filhos, Júlia, de 15 anos, e Lorenzo, de 11, Alice conta que o sucesso de Olívia na internet foi algo inesperado. “Na verdade, nunca existiu essa ideia. Ela sempre foi muito inteligente e fazia umas coisas engraçadas. E eu a gravava simplesmente porque achava legal. Para ela, a vida é brincar, comer e interagir com as pessoas. Resolvi criar uma página no TikTok, só tinha a família seguindo”, conta, rindo. Mas de um dia para o outro, apareceram mais de 5.000 seguidores”. Daí, foi só ladeira acima.

Não bastasse, de repente, a tutora passou a receber mensagens de pessoas de outros estados que queriam visitar e conhecer Olivia. “Algo impressionante. Hoje em dia, temos uma agenda lotada de visitas de várias partes do Brasil”, conta.
Com tamanha repercussão, há um ano, a tutora postou um vídeo sobre seu sonhado projeto de criação de um santuário. “Sozinha, não teria condições. E as pessoas abraçaram meu sonho e começaram a doar para que eu pudesse adquirir o terreno”, conta. Atualmente, o santuário está em fase de construção “Já estamos finalizando a casa-sede, a cozinha e o depósito de alimentos dos animais. As obras estão sendo feitas à medida que entram as doações”, afirma.

Após a compra de um terreno com 40 mil metros quadrados, a bióloga revela que, agora, as doações serão direcionadas para a construção dos primeiros recintos, para pagamento do veterinário responsável pelo projeto e toda a parte estrutural do terreno, que foi adquirido sem água, luz e cerca. “Para finalizar a obra, com oito recintos de acordo com padrão para espécies diferentes, precisamos em torno de R$ 500 mil. Mas o valor final não é calculável, já que é possível construir mais recintos à medida que houver verba, pois o espaço é muito grande”.
Quem quiser contribuir para a criação do Instituto Olívia, pode doar via Pix pelo CNPJ do projeto: 61.116.320/0001-04. “O Instituto Olívia tem conta própria e prestamos contas dos valores arrecadados e gastos. Quem quiser também pode doar material de construção e mão de obra. Qualquer ajuda é bem-vinda”. Outra maneira de ajudar é adquirindo camisetas e calendários 2026 do projeto. Basta acessar o link nas páginas oficiais: @oliviamacacaoficial.
Família completa

Olívia tem um quarto só dela, com uma área externa ligada ao interior da casa por um túnel, com livre acesso a todo espaço. Além da companhia dos humanos, a macaquinha interage ainda com 15 cães, 25 gatos, três coelhos, seis porquinhos da índia e um rato Twister. “A Olívia nos reconhece como família, então, somos todos seus tutores”, afirma.
Longe das câmeras, nos bastidores, a macaquinha também chama a atenção pelas curiosidades do seu comportamento. “A Olivia só dorme no nosso travesseiro, atrás da nossa cabeça. Tem a mania de beber água molhando alguma coisa e chupando. E se não tem um paninho, molha o próprio rabo e chupa a água. Ela também morre de medo de animais grandes, como boi e cavalo. Uma vez fomos a um local onde tinha uma exposição de dinossauros e ela ficou em pânico”, conta a tutora.
Mesmo atuando legalmente e com o bem-estar animal garantido, nem tudo é fofo no mundo de Olívia e Alice, que são alvo de ataques na internet. “Já recebemos várias críticas e tem uma linha de pessoas que é realmente muito contra a humanização de animais. Eu acho que esse é um assunto que não deve ser generalizado e, sim, avaliado os casos individuais”, determina a bióloga.
De acordo com ela, animais que vivem apenas sob os cuidados de humanos, em cativeiro, devem realmente manter o comportamento mais natural, para que consigam conviver bem com os outros da mesma espécie e se sintam confortáveis. Mas no caso daqueles que vivem diretamente com pessoas, que não têm outros companheiros da mesma espécie, estar humanizado acaba sendo melhor. “Eu não posso criar um macaco dentro de casa, apenas com humanos, e querer que ele tenha o comportamento selvagem, porque, para o animal, seria muito pior. Ele precisa se sentir parte daquele grupo em que vive para ter bem-estar. E é por isso que Olívia faz tudo que nós fazemos. E a roupa, ela mesma quer colocar às vezes e, quando não quer, ela tira. São muito espertos e inteligentes, se estiverem incomodados eles arrancam tudo”, justifica.
“Os haters estão em todo lugar. E a partir do momento que expomos partes da nossa rotina, temos que estar preparados para a diversidade de opiniões. Existem sim, críticas, mas muitos dos críticos nunca terão um macaco em casa e, por isso, não conseguem entender o que veem. Só quem sente muito amor pelos animais é que consegue aceitar tratá-los como filhos. Seja colocando fraldas ou fazendo uma festa de aniversário. Então, são opiniões que não cabe discussão. O que realmente deveria importar é o bem-estar do animal. Nada mais”, assegura a bióloga.
Regras e responsabilidade
Sempre é bom lembrar que há regras para se ter um animal silvestre em casa. Olívia foi adquirida legalmente com autorização do Ibama. Infelizmente, de acordo com a bióloga, todos os dias são realizadas apreensões deste tipo de animal em situação de maus tratos ou vivendo de maneira ilegal em residências. Além daqueles que são vítimas de acidentes, queimadas etc.
“Estes animais são levados para um dos Cetas (Centros de Triagem de Animais Silvestres) do Ibama. Se são animais que têm capacidade de retornar à natureza, eles irão receber um cuidado voltado a sua soltura. Se já não tiverem condições de sobreviver mais na natureza, precisam ter um local para viver. Esses locais são zoológicos, mantenedores, criadouros conservacionistas, também conhecidos como santuários. Todo esse processo é feito mediante autorização e fiscalização do Ibama e órgãos competentes de cada estado”, explica.
Regras para ter um animal silvestre e/ou exótico em casa
As regras para se ter um animal silvestre de forma legal podem ser encontradas no portal do Instituto Estadual de Florestas (IEF). A manutenção para fins de estimação é uma prática autorizada, desde que obedecidas as legislações estaduais e federais. Em Minas Gerais, a gestão destes animais é feita pelo IEF. O órgão destaca cuidados e protocolos que devem ser observados com a criação domiciliar para que seja garantido o bem-estar tanto do cidadão quanto dos animais. É necessário se informar sobre a espécie, conhecer quais seus hábitos, alimentação correta e exigência de espaço físico.
A legislação brasileira prevê penalidades para quem comercializa, mantém ou guarda animais silvestres ou exóticos sem autorização ambiental. A Lei Federal 9.605, de fevereiro de 1998, também conhecida como Lei de Crimes Ambientais, prevê detenção de seis meses a um ano e multa para quem capturar, vender e ter depósito de fauna silvestre sem autorização ambiental (art. 29).
Outra punição é prevista no Decreto Federal 6.514, de 2008, com multa de R$ 500 por indivíduo com espécie não constante de listas oficiais de risco ou ameaçadas de extinção, e R$ 5 mil por indivíduo de espécie constante nas listas oficiais de fauna brasileira ameaçada de extinção, inclusive na relação da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites). Em Minas Gerais, as punições estão previstas no Decreto nº 47.383, de março de 2018.
Denuncie cativeiro irregular
- Linha Verde do Ibama: 0800-61-8080
- Disque Denúncia: 181
- LigMinas: 155 e opção 7 (para ligações de fora do Estado e de segunda a sexta, das 7h às 19h) ou (31) 3069-6601 para contato na capital.
- Núcleos de Denúncias e Requisições da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad)
(*) Fonte: Agência Minas